Flávio Bolsonaro deve depor à PF por calúnia contra Lula
Flávio Bolsonaro depõe à PF por calúnia contra Lula

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deve prestar depoimento à Polícia Federal no âmbito de um inquérito que apura crime de calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A investigação foi aberta em abril de 2024 após o parlamentar associar, em uma postagem em rede social, o chefe do Executivo a crimes atribuídos ao ditador venezuelano Nicolás Maduro.

Decisão do STF e rejeição de adiamento

O Supremo Tribunal Federal (STF), por meio do ministro Alexandre de Moraes, determinou a oitiva do senador e rejeitou o pedido da defesa de Flávio Bolsonaro para adiar o depoimento. A decisão reforça o entendimento de que as declarações do parlamentar ultrapassaram os limites da crítica política, configurando suposta calúnia ao atribuir falsamente a Lula a prática de crimes.

O inquérito foi instaurado em abril, após a Procuradoria-Geral da República (PGR) acatar representação de partidos políticos e entidades da sociedade civil. De acordo com a PGR, a postagem de Flávio Bolsonaro continha afirmações falsas e difamatórias, associando o presidente a atos de corrupção e violência supostamente cometidos por Maduro.

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Contexto da postagem e natureza da calúnia

Na ocasião, Flávio Bolsonaro publicou em suas redes sociais que Lula estaria envolvido em crimes como tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, supostamente em parceria com o regime venezuelano. A publicação gerou ampla repercussão e levou a PGR a solicitar a abertura de investigação, que concluiu haver indícios de calúnia, crime previsto no artigo 138 do Código Penal.

Para a PGR, a conduta do senador não se enquadra no direito à liberdade de expressão, pois imputou a Lula a prática de fatos criminosos específicos, sem qualquer embasamento. A legislação brasileira define calúnia como a imputação falsa de crime a alguém, sujeita a pena de detenção de seis meses a dois anos e multa.

Implicações jurídicas e políticas

O depoimento de Flávio Bolsonaro à PF é um passo importante no inquérito, que pode resultar em denúncia formal pelo Ministério Público. Caso seja condenado, o senador pode perder o mandato por determinação do STF, conforme súmula vinculante. A defesa de Flávio alega que as declarações foram feitas com base em informações públicas e que não houve intenção de caluniar.

O caso também tem repercussão política, intensificando a polarização entre bolsonaristas e o governo Lula. A oposição vê no inquérito uma perseguição judicial, enquanto a base governista defende a apuração rigorosa de atos que atentam contra a honra do presidente. A expectativa é que o depoimento ocorra nos próximos dias, após a defesa ser notificada pela PF.

Histórico de investigações contra Flávio Bolsonaro

Esta não é a primeira vez que Flávio Bolsonaro é alvo de investigações. O senador já responde a outros inquéritos, como o que apura suposta prática de rachadinha em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. No entanto, o atual processo ganha contornos especiais por envolver diretamente o presidente da República e a estabilidade do regime democrático.

O STF, por ordem de Alexandre de Moraes, já havia determinado a quebra de sigilo bancário e fiscal de Flávio Bolsonaro em outras ocasiões. A Corte tem se posicionado firmemente contra ataques à honra de autoridades, especialmente quando há potencial de desestabilização institucional.

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