O dólar abriu a sessão desta terça-feira (28) em queda de 0,99% no mês e 6,87% no ano, enquanto o Ibovespa acumula alta de 8,88% em 2025. Investidores acompanham a pausa nas hostilidades entre Estados Unidos e Irã, que aliviou os preços do petróleo e trouxe otimismo aos mercados globais. A agenda doméstica destaca o IPCA-15, prévia da inflação, e a decisão de juros do Federal Reserve (Fed) nesta quarta-feira (29).
Alívio nas tensões no Oriente Médio reduz preços do petróleo
O presidente americano, Donald Trump, afirmou na véspera que suspendeu os ataques ao Irã para dar mais uma chance às negociações de paz, mas alertou que pode retomar uma ação militar ainda mais forte caso a saída diplomática falhe. No entanto, Teerã negou haver qualquer tratativa em andamento. Segundo o Irã, as conversas em curso são com Omã e focam na gestão do Estreito de Ormuz, canal por onde passa cerca de 20% de todo o comércio global de petróleo.
De acordo com a agência Reuters, Omã apresentou uma proposta para criar um mecanismo regional conjunto de gestão do estreito, com contribuições voluntárias de países e empresas para financiar segurança da navegação, proteção ambiental e operações de busca e salvamento. O plano, que conta com apoio regional, não dá ao Irã controle exclusivo sobre a via marítima. Apesar do tráfego ainda limitado no canal, o alívio nas tensões reduz a pressão sobre a oferta global da commodity.
Perto das 8h30, o barril do Brent caía 2,29%, cotado a US$ 86,34, e o West Texas Intermediate (WTI) recuava 1,95%, a US$ 81,00. A queda nos preços do petróleo contribui para a descompressão inflacionária global e beneficia economias importadoras, como o Brasil.
Atritos Brasil-Argentina e agenda local no radar
No cenário doméstico, os investidores monitoram os desdobramentos das tensões entre representantes do governo brasileiro e o presidente argentino, Javier Milei. No sábado (25), Milei participou do lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência e criticou o presidente Lula e o ministro do STF Alexandre de Moraes. Em resposta, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, comparou as duas economias e chamou o presidente argentino de "palhaço".
Na agenda de indicadores, o destaque é o IPCA-15, considerado a prévia da inflação oficial. Além disso, investidores aguardam a decisão de juros do Fed, com expectativa ampla de manutenção das taxas americanas. A taxa Selic no Brasil está em 14,25% ao ano, enquanto os juros nos EUA permanecem na faixa de 5,25%-5,50%.
Bolsas globais: Ásia tem quedas acentuadas
Na Ásia, as ações chinesas caíram para a menor cotação em uma semana, puxadas pelo setor de tecnologia diante de preocupações com aumento da produção de chips e gastos elevados com infraestrutura de inteligência artificial. O CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, recuou 2,83%, e o Índice de Xangai (SSEC) fechou em baixa de 1,16%. Em Hong Kong, o Hang Seng subiu 0,41%, enquanto o Nikkei, do Japão, perdeu 3,95%. O Kospi, da Coreia do Sul, desvalorizou 10,84% e chegou a acionar o circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações para conter movimentos de pânico.
Expectativas para a decisão do Fed
A reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Fed começa hoje e termina amanhã com anúncio da taxa de juros. A maioria dos analistas projeta manutenção da taxa básica, mas há atenção para o comunicado e as projeções econômicas. Qualquer sinal de cortes futuros pode impulsionar ativos de risco, enquanto postura mais hawkish pode fortalecer o dólar globalmente.



