A rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal pelo Senado foi interpretada como a maior crise política do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No jornal Edição das 18h, da GloboNews, Natuza Nery, Gerson Camarotti, Elisa Clavery, Ana Flor e Fernando Gabeira apontaram falhas de articulação do governo, avanço do Centrão e impactos eleitorais do episódio.
Para Camarotti, a derrota expõe um erro estratégico que remonta ao início do processo, há cinco meses. Segundo ele, integrantes do próprio governo já avaliavam que Lula deveria ter negociado de forma mais clara com o então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, quando a vaga surgiu. Agora, o presidente se vê diante da dificuldade de emplacar qualquer outro nome, sem uma base consolidada no Senado.
O colunista também destacou que o placar elástico só foi possível com a adesão de forças além da oposição, especialmente sob influência de Davi Alcolumbre. O movimento, segundo ele, combina interesses eleitorais e um discurso político mais amplo de enfrentamento ao STF.
Natuza Nery ressaltou o peso político direto sobre Lula. Para ela, mais do que uma derrota de Messias, trata-se de uma derrota pessoal do presidente, imposta em grande medida por Alcolumbre. Com 42 votos contrários e apenas 34 favoráveis, o resultado foi classificado por integrantes da base como “gigantesco” e gerou apreensão entre aliados. Fontes ouvidas por Natuza avaliam que fatores como o “caso Master” podem ter influenciado o comportamento de senadores, especialmente do Centrão, diante do temor de investigações.
Elisa Clavery apontou falhas na contagem de votos e um ambiente de traição política. Segundo ela, o governo trabalhava com um cenário muito mais apertado e foi surpreendido pela margem da derrota. Relatos de bastidores indicam que senadores teriam sinalizado apoio ao governo, mas votado em sentido contrário, evidenciando fragilidade na coordenação política.
Ana Flor comparou o episódio com momentos anteriores de desgaste entre Executivo e Senado, como a rejeição de um indicado a embaixador no governo Dilma Rousseff, em 2015. Segundo ela, o caso atual sinaliza um afastamento significativo do Centrão, tradicional fiador da governabilidade. Já Fernando Gabeira chama atenção para a dimensão interna da crise, avaliando que houve uma falha grave da equipe responsável pela articulação, não apenas por perder a votação, mas por não prever um resultado dessa magnitude.



