Israel aprovou a construção de um controverso assentamento com cerca de 3.500 casas na Cisjordânia ocupada, separando Jerusalém Oriental do restante do território. O projeto, conhecido como E1, foi congelado por décadas devido à forte oposição internacional, mas agora avança sob o governo do ministro das Finanças de extrema direita, Bezalel Smotrich.
O plano E1 prevê 3.401 casas em uma área de aproximadamente 12 km² entre Jerusalém Oriental e o assentamento existente de Maale Adumim. Segundo o grupo israelense Peace Now, as novas unidades representariam um aumento de 33% no tamanho de Maale Adumim, que atualmente tem cerca de 38 mil moradores.
A localização estratégica do E1, entre o sul e o norte de Jerusalém, impediria a formação de uma área urbana palestina contínua conectando Ramallah, Jerusalém Oriental e Belém. A ONU já alertou que o projeto acabaria com a perspectiva de uma solução de dois Estados.
O Ministério das Relações Exteriores palestino classificou o plano como 'uma extensão dos crimes de genocídio, deslocamento e anexação', acusações que Israel rejeita. O anúncio ocorre após vários países, como França, Canadá e Reino Unido, afirmarem que planejam reconhecer o Estado palestino ainda este ano.
Desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, a pressão israelense sobre os palestinos na Cisjordânia aumentou. Em junho, a ONU registrou o maior número mensal de palestinos feridos em mais de duas décadas, com 100 feridos por colonos israelenses. Na primeira metade de 2025, foram registrados 757 ataques de colonos com vítimas ou danos a propriedades, um aumento de 13% em relação ao mesmo período de 2024.



