O Partido Liberal (PL) oficializou, em 25 de julho, durante convenção no Pacaembu, em São Paulo, a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-SP) à Presidência da República. O evento, que reuniu lideranças partidárias e apoiadores, não anunciou o nome que comporá a chapa como vice. Até a publicação desta reportagem, Flávio seguia sem candidato definido.
Discurso de Flávio Bolsonaro na convenção
Em seu discurso, Flávio Bolsonaro fez uma emocionada referência ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmando que a luta começada em 2018 agora está nas mãos dos apoiadores. Ele destacou a responsabilidade de carregar o nome da família e prometeu libertar o Brasil do que chamou de "cativeiro" imposto pelo PT e pelo presidente Lula.
"Hoje é o dia que a gente começa o resgate do nosso Brasil. A gente está reunido aqui por um propósito muito maior, que é devolver o Brasil para os brasileiros", declarou Flávio, sob aplausos da plateia.
Críticas ao PT e defesa da direita
O candidato fez duras críticas ao Partido dos Trabalhadores, citando corrupção, altos impostos e inflação. Ele mencionou que o PT teve três mandatos para governar e não entregou resultados, portanto não merece uma quarta oportunidade. "Quem teve três mandatos para fazer e não fez não merece uma quarta oportunidade", afirmou.
Flávio também atacou o que chamou de "Partido da Tarifa" e defendeu pautas como redução de impostos, legislação mais dura contra criminosos e castração química para estupradores. Ele citou o caso de um estuprador de 14 anos para justificar a necessidade de punições mais severas.
Referências ao ex-presidente e à prisão
Em diversos momentos, Flávio lembrou o pai, preso desde dezembro de 2024, e disse que ele foi vítima de injustiça. "Eles tentaram matar o meu pai pela primeira vez, quando enfiaram uma faca na barriga dele. Depois, tentaram matar o meu pai e tudo o que ele representa pela segunda vez, quando o humilharam e o mandaram para a prisão", disse.
Ele afirmou que o pai foi isolado e calado para impedir a continuidade de seu legado, mas garantiu que não serão intimidados. "Eu posso ser mais calmo, mais sorridente, mais tranquilo e moderado. Mas, aqui, tem sangue de Bolsonaro", declarou.
Promessas de campanha
Flávio Bolsonaro listou uma série de promessas, incluindo segurança pública, valorização de professores, apoio ao agronegócio e proteção à família. Ele também criticou a possibilidade de Lula indicar quatro ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), alertando para o risco de uma "ditadura".
"Imaginem ele indicando mais quatro Alexandre de Moraes. Para onde esse país vai?", questionou, referindo-se ao ministro do STF.
O candidato encerrou o discurso com uma mensagem de esperança e união, citando o versículo bíblico de Provérbios 29:2: "Quando os justos governam, o povo se alegra, mas, quando o perverso domina, o povo geme."
Repercussão e próximos passos
A convenção contou com a presença de líderes do PL, como o presidente nacional Valdemar Costa Neto, e de políticos como os governadores Tarcísio de Freitas (SP) e Ricardo Nunes (SP), além de deputados e senadores. A definição do vice ainda não tem data para ser anunciada.
Flávio Bolsonaro, que é senador por São Paulo, agora inicia sua campanha oficial, com o desafio de consolidar seu nome e enfrentar o ex-presidente Lula nas urnas em 2026. A eleição está marcada para outubro do próximo ano.



