Mendonça: 'Bom juiz não é estrela', mas age com humildade e coragem
Mendonça: 'Bom juiz não é estrela', mas age com humildade e coragem

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça afirmou nesta sexta-feira (20) que o papel de um magistrado não é buscar protagonismo, mas assumir a responsabilidade de julgar com equilíbrio e consciência das próprias limitações. A declaração foi feita durante um evento na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) seccional do Rio de Janeiro, onde Mendonça é relator do caso Master.

Segundo Mendonça, 'bom juiz não é estrela', mas alguém que cumpre o dever com senso de responsabilidade. 'Como eu sou cristão, peço que julgue da forma certa, reconhecendo que não somos perfeitos', declarou. Ele também disse que decisões difíceis fazem parte da rotina de quem ocupa posições de liderança no Estado, e que eventuais erros devem ser reconhecidos e corrigidos.

'Não tenha medo de tomar decisões. Se estiver errado, peça desculpas e corrija a rota, mas não deixe de decidir', afirmou. O ministro destacou que coragem, no exercício da função pública, não se traduz em elevar a voz nem em demonstrar força ostensiva, mas em agir com serenidade mesmo sob pressão.

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Mendonça também afirmou que, em ambientes de poder, humildade costuma ser confundida com fraqueza, mas que o conceito representa exatamente o oposto. No discurso, o ministro relembrou sua sabatina no Senado, em 2021, e afirmou que enfrentou resistência de pessoas 'mais poderosas' que não queriam ver sua indicação avançar.

Segundo Mendonça, sua estratégia foi evitar confrontos públicos antes de a sabatina ser marcada. 'Se eu aumentasse a força antes da marcação, ia aumentar a carga contra mim. Só depois de marcada iria demonstrar força, porque, se fosse brigar só pelo lado da força, seria derrotado', relatou. Ele completou dizendo que posições públicas exigem 'perseverança e resiliência', além de leitura precisa do momento adequado para agir.

O ministro afirmou também que não tem pretensão pessoal no Supremo, ressaltando que não se considera mais — nem menos — importante do que os demais ministros. Disse que as 11 cadeiras da Corte têm 'a devida importância e responsabilidade' e registrou que não pretende ser 'salvador de nada'. Mendonça acrescentou que os ministros são servidores públicos que precisam preservar a relação de confiança que a sociedade deposita neles.

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