Em 6 de agosto de 1945, os Estados Unidos lançaram uma bomba atômica sobre Hiroshima, matando cerca de 140 mil pessoas. Três dias depois, Nagasaki foi atingida, com aproximadamente 74 mil mortos. Estes são os únicos usos de armas nucleares em guerra na história.
Os sobreviventes, conhecidos como hibakusha, sofreram estigmatização e marginalização. Muitos tiveram dificuldade para encontrar trabalho devido ao medo das empresas de que problemas de saúde causados pela radiação, como câncer, os tornassem funcionários pouco confiáveis. Mulheres também enfrentaram discriminação, com estudos mostrando que muitas nunca conseguiram se casar.
Milhares de pessoas que estavam em Hiroshima e Nagasaki nos dias dos bombardeios não são oficialmente reconhecidas como vítimas, por não conseguirem provar que estavam dentro do perímetro definido pelo governo. Sem o reconhecimento, não têm acesso gratuito a cuidados médicos, o que é considerado uma 'discriminação de Estado'.
Na cerimônia dos 80 anos, realizada nesta quarta-feira (6) em Hiroshima, sobreviventes e a associação Hidankyo, vencedora do Nobel da Paz, exigiram o fim dessa discriminação. O prefeito de Nagasaki também pressiona o governo por uma solução urgente, já que os não reconhecidos envelhecem e enfrentam sérios problemas de saúde.
Representantes de 120 países e regiões, além da União Europeia, participaram do evento. Potências nucleares como Rússia, China e Paquistão não enviaram representantes. O Japão afirmou que apenas notificou os países, sem escolher convidados, permitindo a presença de Palestina e Taiwan, que não reconhece oficialmente como Estados.



