Mais de mil pessoas morreram durante a peregrinação do Hajj em Meca neste mês, com temperaturas superiores a 51°C, segundo cálculos da AFP. Mais da metade das vítimas eram peregrinos não registrados, incluindo 600 do Egito, conforme diplomatas. Nem a Arábia Saudita nem o Egito divulgaram números oficiais de mortos.
O calor intenso, agravado pela falta de alojamento e centros de refrigeração para os não autorizados, foi apontado como fator crítico. Testemunhas relataram que peregrinos sem licença foram impedidos de acessar tendas com ar condicionado e outros serviços oficiais, mesmo quando apresentavam sinais de doença.
O Hajj, um dos pilares do Islã, atraiu cerca de 1,8 milhão de fiéis este ano. Muitos rituais exigem longas exposições ao ar livre e caminhadas. Peregrinos não registrados, que entraram com vistos de turismo, ficaram particularmente vulneráveis, sem acesso a infraestrutura de refrigeração e com medo de represálias ao buscar ajuda médica.
Estudos indicam que a Arábia Saudita aqueceu 50% mais rápido que o resto do Hemisfério Norte nas últimas quatro décadas. Pesquisas projetam que o estresse térmico no Hajj ultrapassará o 'limiar de perigo extremo' entre 2047-2052 e 2079-2086, com frequência e intensidade crescentes.
Peregrinos descreveram o calor como 'opressivo e inevitável', com pessoas desmaiando ou morrendo nas ruas. Geradores de ar condicionado em tendas pararam de funcionar devido ao calor, segundo relatos. A situação levanta questionamentos sobre o papel da Arábia Saudita como anfitriã de uma das maiores reuniões religiosas do mundo.



