O governo francês foi duramente criticado nesta sexta-feira (9) por rivais políticos e agricultores após não conseguir bloquear a aprovação do acordo comercial UE-Mercosul. Partidos de oposição de extrema direita e extrema esquerda apresentaram moções de censura contra o primeiro-ministro Sébastien Lecornu.
O partido de extrema esquerda França Insubmissa (LFI) apresentou uma moção na manhã de sexta-feira, enquanto o partido de extrema direita Reunião Nacional (RN), liderado por Marine Le Pen, afirmou que também apresentaria uma contra o presidente da Comissão Europeia em Bruxelas. É improvável, porém, que a RN e a LFI consigam votos suficientes no parlamento para derrubar o governo.
As moções de censura sublinham a reação política interna negativa que o governo do presidente Emmanuel Macron enfrenta devido ao acordo comercial com as nações sul-americanas, enquanto luta para aprovar um orçamento de 2026 já atrasado em um Parlamento sem maioria governista, algo sem precedentes na Quinta República francesa.
A França votou contra o acordo do Mercosul. No entanto, o tratado exige apenas o apoio de maioria qualificada entre os Estados-membros da UE para que seja assinado pela Comissão Europeia e pelo bloco sul-americano. O Parlamento Europeu precisaria então ratificar o acordo. Os Estados-membros da UE deram sinal verde provisório na sexta-feira para o acordo, que seria o maior acordo de livre comércio de sempre e que levou mais de 25 anos a ser elaborado.
A França juntou-se à Polónia, Hungria, Irlanda e Áustria na votação contra o acordo, mas sem conseguir atingir o apoio mínimo para o bloqueio. Com Donald Trump determinado a abalar o comércio global, a Comissão Europeia e países como a Alemanha e a Espanha argumentam que o acordo ajudará a compensar as perdas comerciais decorrentes das tarifas dos EUA e a reduzir a dependência da China, garantindo o acesso a minerais críticos.
Os opositores, liderados pela França, o maior produtor agrícola da UE, afirmam que o acordo aumentará as importações de alimentos baratos, incluindo carne de vaca, aves e açúcar, prejudicando os agricultores nacionais. A França obteve concessões significativas de Bruxelas para proteger os agricultores do impacto total do acordo, mas os pecuaristas, que representam um terço dos agricultores franceses, mobilizaram com sucesso a opinião pública contra ele.



