A prévia da inflação oficial, o IPCA-15, acelerou para 0,89% em abril, ante 0,44% em março, segundo o IBGE. Foi o maior resultado para o mês desde 2022 e o mais elevado desde fevereiro de 2025. No acumulado de 12 meses, o indicador subiu de 3,90% para 4,37%, distanciando-se da meta perseguida pelo Banco Central.
Todos os nove grupos pesquisados registraram alta de preços, sinal de inflação disseminada. Alimentação e bebidas subiu 1,46%, e Transportes avançou 1,34%, respondendo juntos por mais da metade do índice. Regionalmente, todas as 11 áreas pesquisadas tiveram avanço, com Belém liderando as pressões e Brasília a variação mais contida.
Para Mariana Rodrigues, economista da SulAmérica Investimentos, a surpresa baixista concentrou-se em passagens aéreas, mas a tendência é de reversão parcial diante do avanço da guerra e seus impactos sobre o querosene de aviação. Ela destaca o cenário desafiador, especialmente com nova surpresa altista em bens industriais.
A XP Investimentos aponta que a mediana das expectativas para o IPCA de 2026 no Relatório Focus saltou de 4,10% para 4,86% desde a última reunião do Copom. Para 2027, a projeção avançou de 3,80% para 4,00%. Os núcleos de inflação seguem pressionados: na média móvel de três meses anualizada e dessazonalizada, o núcleo do IPCA subiu de 3,3% em janeiro para 4,7% em março.
A economia brasileira continua aquecida, com PIB crescendo acima de 4% no primeiro trimestre de 2026 e taxa de desemprego próxima das mínimas históricas. Choques inflacionários tendem a gerar efeitos mais persistentes nesse ambiente. Por outro lado, a valorização do real frente ao dólar, próxima de 9% no ano, funciona como amortecedor para a inflação.



