Vance critica israelenses e defende acordo com Irã
Vance critica israelenses e defende acordo com Irã

O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, fez duras críticas aos israelenses que se opõem ao acordo firmado com o Irã nesta semana. Em pronunciamento nesta quinta-feira, Vance afirmou que o presidente Donald Trump é o único aliado de Israel no cenário global, em uma forte repreensão que incluiu referências aos bilhões de dólares em ajuda militar que o país recebe dos EUA.

Defesa do acordo e críticas a Israel

Vance defendeu o acordo para pôr fim à guerra com o Irã, que tem sido criticado nos EUA e em Israel por não conter o programa de mísseis iraniano nem oferecer um caminho claro para o desmantelamento de suas instalações nucleares. Além disso, o acordo restringe Israel em sua guerra contra militantes do Hezbollah no Líbano. Trump tem repetidamente criticado Israel, seu aliado de longa data, aumentando as tensões quase quatro meses após os dois países se unirem para atacar o Irã. O conflito abalou os mercados e o abastecimento global de petróleo, com Teerã fechando o Estreito de Ormuz, importante rota de abastecimento.

Declarações de Vance na Casa Branca

Questionado sobre reportagens de que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, estaria furioso com o acordo, Vance disse não ter ouvido tais comentários do premiê, mas criticou membros do gabinete israelense que, segundo ele, atacaram Trump pessoalmente. “Minha mensagem para eles seria dupla. Primeiro: Donald J. Trump é o único chefe de Estado em todo o mundo que demonstra simpatia pela nação de Israel neste momento”, afirmou. “Se eu estivesse no gabinete do governo israelense, talvez não estivesse atacando o único aliado poderoso que me resta em todo o mundo.” Ele também lembrou que dois terços das armas defensivas de Israel “foram fabricadas por mãos norte-americanas e pagas com o dinheiro dos contribuintes norte-americanos”. Os EUA fornecem a Israel cerca de US$ 4 bilhões em assistência militar por ano, e os dois países negociam um novo acordo de ajuda.

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Reações e tensões

Autoridades israelenses de alto escalão afirmaram anonimamente que os termos do acordo são ruins para Israel por não abordarem as preocupações sobre o programa nuclear e de mísseis balísticos do Irã — visão compartilhada por toda a liderança israelense. Trump tentou minimizar as preocupações de Israel na quarta-feira, durante a cúpula do G7 na França, sugerindo que Netanyahu poderia adotar uma “abordagem mais branda” na luta contra o Hezbollah no Líbano. Em seus primeiros comentários desde o acordo, Netanyahu disse em evento público que Israel valoriza sua relação com os EUA, mas continuará a ocupar o sul do Líbano para garantir a segurança dos cidadãos na fronteira norte. “Isso exige a manutenção da faixa de segurança no sul do Líbano; exige que não saíamos de lá enquanto as necessidades de segurança de Israel assim o exigirem”, afirmou. Israel publicou nesta quinta-feira um mapa mostrando uma zona de controle militar ampliada no sul do Líbano e não descartou ataques além dela, desafiando os termos do pacto entre EUA e Irã.

Críticas a ministros de extrema-direita

Vance criticou o ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, e o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, em entrevista ao New York Times. “Qual é exatamente a sua proposta? Vocês são um país de 9 milhões de pessoas. Não dá para simplesmente matar para resolver todos os problemas de segurança nacional que vocês têm”, disse Vance. “Acho todo esse alvoroço em Israel um pouco estranho, porque acredito que ele decorre de uma falta de confiança, e acho que os Estados Unidos conquistaram a confiança dessa região do mundo.” Ben-Gvir respondeu no X: “Esta é a proposta… Lidar com os nazistas do século 21, assim como os Estados Unidos lidaram com os nazistas do século 20.” Em publicação nas redes sociais, Trump disse que encorajava todos no Oriente Médio a manterem o compromisso de permitir negociações e espera um cessar-fogo total em todas as frentes, incluindo Líbano, Hezbollah e Israel.

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