O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, afirmou que parte do governo de Israel tentou influenciar a política externa americana contra o acordo nuclear com o Irã. A declaração foi feita durante discurso na Universidade da Geórgia, em Athens, no dia 14 de abril de 2026, e retoma críticas anteriores do vice-presidente à política israelense, ampliando o distanciamento público entre os dois países.
Acusações de interferência
Segundo Vance, setores do governo israelense teriam atuado nos bastidores para minar as negociações entre EUA e Irã. "Há evidências de que parte do governo de Israel tentou influenciar nossa administração a não avançar com o acordo. Isso é inaceitável", declarou o vice-presidente. Ele não detalhou as supostas evidências, mas a fala ecoa tensões anteriores entre Washington e Tel Aviv sobre o programa nuclear iraniano.
Distanciamento diplomático
As críticas de Vance ocorrem em meio a um crescente distanciamento entre os dois aliados históricos. Nos últimos meses, o governo Biden tem adotado uma postura mais independente em relação a Israel, especialmente no que tange ao acordo com o Irã. Analistas apontam que a declaração de Vance pode aprofundar a divisão, uma vez que Israel sempre se opôs ao acordo, temendo que ele não impeça o Irã de obter armas nucleares.
"O acordo com o Irã é uma prioridade para nossa segurança nacional, e não permitiremos interferências externas", completou Vance, reforçando o compromisso da administração americana com o pacto. O governo israelense, por sua vez, ainda não se pronunciou oficialmente sobre as acusações.
Reações e contexto
Especialistas em relações internacionais veem a fala de Vance como um sinal de que a Casa Branca está disposta a confrontar Israel publicamente. "É raro um vice-presidente americano fazer acusações tão diretas contra um aliado. Isso mostra o nível de tensão atual", comentou o professor de política internacional da Universidade de Brasília, Marcos Oliveira. Enquanto isso, o Irã celebrou as declarações, com o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano classificando-as como "um passo positivo para a transparência nas relações internacionais".



