Witzel desiste da candidatura ao governo do Rio e apoia Garotinho
Witzel desiste de concorrer no Rio e apoia Garotinho

O ex-governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, filiado ao Democratas, anunciou neste sábado, 1º, que não será mais candidato ao Palácio Guanabara. A decisão foi comunicada por meio das redes sociais, onde ele declarou apoio ao também ex-governador Anthony Garotinho, do Republicanos, na disputa pelo comando do estado. Witzel afirmou que volta à vida pública “mais experiente e cauteloso”, após o período em que ficou inelegível.

O anúncio encerra a expectativa de que o ex-governador pudesse lançar uma candidatura própria. Ele havia sinalizado, nos últimos meses, a intenção de voltar a disputar o governo, mas decidiu abrir mão da candidatura em favor da aliança com Garotinho. A movimentação ocorre em um cenário de indefinição na oposição fluminense, com diferentes pré-candidatos buscando consolidar seus nomes.

Trajetória marcada pelo impeachment

Witzel, que é ex-juiz federal, foi eleito em 2018 na onda bolsonarista. Em 2021, sofreu impeachment sob a acusação de comandar um esquema de desvio de verbas da saúde pública fluminense, incluindo recursos que seriam destinados a hospitais de campanha durante a pandemia de covid-19. Com a condenação, ficou inelegível por cinco anos, período que já foi cumprido, permitindo que ele voltasse a disputar as eleições deste ano.

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Com o impeachment, o mandato foi cassado, e ele ficou inelegível pelo período de cinco anos. A volta ao cenário político, agora como apoiador de Garotinho, marca a sua tentativa de reconstruir a imagem após o desgaste do processo.

Frente para derrotar o presidente da Alerj

Na justificativa apresentada, Witzel afirmou que a aliança tem como objetivo criar uma “frente” capaz de superar o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Douglas Ruas, do PL, na briga por uma vaga no segundo turno. A união de forças, segundo ele, busca impedir que o estado caia nas mãos de adversários que ele classifica como ligados ao sistema e ao crime organizado.

“Vamos derrotar os candidatos do sistema, unir a direita de verdade, declarar guerra ao crime organizado, dar tranquilidade ao cidadão de bem”, escreveu o ex-governador em suas redes sociais. A mensagem reforça o tom de confronto que tem marcado a sua trajetória política, desde a eleição de 2018, quando surfou na onda bolsonarista.

O papel de Witzel na aliança

Em sua mensagem, Witzel explicou que não disputará o cargo de vice-governador na chapa de Garotinho. Ele afirmou que apresentou propostas nas áreas econômica, social e de segurança para o aliado. A decisão coloca fim à especulação de que ele poderia compor a chapa como candidato a vice, o que poderia aumentar o peso político da união.

A aliança entre os dois ex-governadores reúne forças da direita fluminense em um momento em que a corrida eleitoral ainda não tem um nome consolidado na oposição. A expectativa é que a união possa atrair outros partidos e lideranças políticas que desejam evitar a reeleição de Eduardo Paes ou a chegada de Douglas Ruas ao poder. Witzel, ao deixar de ser candidato, assume um papel de articulador, o que pode lhe garantir espaço importante nas negociações.

Garotinho recupera direitos políticos

Anthony Garotinho voltou à disputa eleitoral após ter uma condenação anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em março deste ano. A sentença havia sido de 13 anos e nove meses de prisão, relacionada ao suposto uso do programa social Cheque Cidadão para obter apoio eleitoral. Com a anulação, ele recuperou os direitos políticos e passou a poder concorrer novamente.

Garotinho, que também é ex-governador do Rio, já havia sido candidato em outras eleições e agora tenta um novo mandato. Witzel, por sua vez, viu seu próprio projeto político ser interrompido pelo impeachment e pela inelegibilidade, e agora aposta em Garotinho como o nome capaz de representar suas ideias e propostas. Ambos são figuras conhecidas do eleitorado fluminense, embora tenham passado por diferentes situações judiciais.

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Pesquisa aponta liderança de Eduardo Paes

De acordo com a pesquisa Quaest mais recente, o ex-prefeito da capital Eduardo Paes, do PSD, lidera a disputa para o governo fluminense. O mesmo levantamento aponta que Paes venceria com ampla margem um eventual segundo turno contra Garotinho. Os números reforçam o desafio que a aliança Witzel-Garotinho terá pela frente para reverter a vantagem do adversário.

Os dados da pesquisa indicam ainda que a eleição no Rio de Janeiro continua sendo favorável a Paes, que já administrou a cidade do Rio por duas gestões. A aliança de Witzel com Garotinho, no entanto, pode mudar o cenário ao unir o eleitorado de direita que hoje se encontra dividido entre vários pré-candidatos. No segundo turno, a tendência é que o eleitorado se polarize em torno de dois nomes, e a aliança pode fortalecer Garotinho.

Impacto da aliança para as eleições

A decisão de Witzel de abrir mão da própria candidatura e apoiar Garotinho muda o tabuleiro político do estado. Resta saber se a frente de direita conseguirá atrair outros partidos e eleitores, e se a união será suficiente para superar a liderança de Paes nas urnas.

O movimento de Witzel também pode ser interpretado como um reconhecimento de que sua própria candidatura não teria viabilidade eleitoral, sobretudo após o desgaste do impeachment. Ao apoiar Garotinho, ele busca manter-se relevante no cenário político fluminense e participar das negociações que podem definir o próximo governo. O tempo dirá se a aposta dará certo, mas a movimentação já altera as projeções iniciais da disputa estadual.