Miguel Coelho retira pré-candidatura ao Senado em Pernambuco
Miguel Coelho desiste de disputar o Senado em PE

O ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (União Brasil) anunciou neste sábado (1º) a retirada da pré-candidatura ao Senado em Pernambuco. A decisão foi comunicada em vídeo nas redes sociais após uma reunião com a governadora Raquel Lyra (PSD), candidata à reeleição, que durou até por volta das 1h da madrugada. Com isso, o deputado federal Eduardo da Fonte (PP), que disputava a vaga com Miguel, fica como nome da federação na chapa da governadora.

Acordo para preservar a chapa

Miguel Coelho afirmou que a retirada foi decidida em comum acordo com Raquel Lyra para evitar que a indefinição na federação União Brasil/PP colocasse em risco a candidatura da governadora. "Para não colocar esse projeto em risco sob nenhum tipo de condição, de ameaça ou de qualquer forma de pressão que seja, percebemos, e eu e ela, numa conversa de bom tom e muito tranquila, que era o momento de retirar a nossa candidatura ao Senado", disse.

O ex-prefeito reconheceu que o desfecho não era o que ele queria para as eleições deste ano. "Infelizmente, não vai dar. Esse ano de 2026, não vamos colocar o nosso nome à disposição por questão de forças maiores. Mas o 'galeguinho' continua aqui, de cabeça erguida, firme", completou.

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Terceira vez que o grupo Coelho é preterido

Essa é a terceira ocasião em que o grupo político da família Coelho, de Petrolina, fica de fora de uma disputa majoritária em Pernambuco. Em 2014, o pai de Miguel, ex-senador Fernando Bezerra Coelho, tentou disputar a sucessão do ex-governador Eduardo Campos pelo PSB, mas o partido escolheu Paulo Câmara, que venceu a eleição para o governo naquele ano. Quatro anos depois, já filiado ao MDB, Fernando Bezerra Coelho voltou a tentar viabilizar a candidatura ao governo, mas a resistência do grupo do ex-governador Jarbas Vasconcelos impediu que ele assumisse a presidência estadual da legenda e disputasse o cargo.

Ruptura com João Campos e aproximação com Raquel

Até março, Miguel Coelho e o União Brasil faziam parte do arco de apoio ao ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), principal adversário de Raquel Lyra e que também oficializou, neste sábado, a candidatura ao governo. Naquele período, Miguel manifestava a intenção de disputar o Senado pela Frente Popular de Pernambuco, mas convivia com a concorrência de nomes como o senador Humberto Costa (PT), a ex-deputada federal Marília Arraes (PDT) e o então ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos).

O cenário mudou depois que, em fevereiro, Miguel e parentes se tornaram alvos da Operação Vassalos, da Polícia Federal, que investiga um suposto esquema criminoso de desvio de emendas parlamentares. Dias depois, ele rompeu com João Campos e afirmou que o União Brasil "ficou refém" de um projeto que excluiu o partido. O grupo migrou, então, para a base de apoio de Raquel Lyra, com Miguel passando a participar de agendas políticas e entregas de obras no estado.

Disputa pela vaga e impasse na federação

Na chapa de Raquel Lyra, o deputado federal Túlio Gadelha (PSD) deve ocupar uma das duas vagas ao Senado. A outra vaga estava sendo disputada por Miguel e Eduardo da Fonte. Cada chapa pode lançar até dois candidatos ao Senado, uma vez que duas cadeiras estão em jogo neste ano. Com o crescimento do nome de Eduardo da Fonte, que chegou ao terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto, a federação União Brasil/PP aprovou, no fim de junho, a pré-candidatura do deputado, já que o PP tem maioria de filiados entre os dois partidos.

A escolha foi ratificada pelo presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, mas desautorizada pelo dirigente nacional do União Brasil, Antônio Rueda. O impasse seguiu mesmo após reuniões com a governadora e só foi resolvido com a retirada de Miguel Coelho. Vale lembrar que União Brasil e PP formam uma federação nacional, o que os obriga a funcionar como um único partido nas eleições.

Calendário das convenções e eleições

A convenção do PSD, que deve oficializar as candidaturas de Raquel Lyra e Túlio Gadelha, está marcada para este domingo (2). As convenções partidárias, nas quais os partidos escolhem seus candidatos, vão até 5 de agosto. Depois disso, os nomes precisam ser registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até 15 de agosto, e a campanha eleitoral tem início no dia seguinte.

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Nas eleições de 4 de outubro, os brasileiros vão às urnas para escolher presidente, governador, duas cadeiras de senador por estado, deputado federal e deputado estadual.