O nome de Tarona Taafaki entrou para a história do esporte de Tuvalu na última semana. A boxeadora de 20 anos conquistou a primeira medalha da pequena nação insular do Pacífico nos Jogos da Commonwealth, competição que reúne atletas dos países que integram a Comunidade Britânica de Nações. O bronze veio na categoria feminina de 75kg, em Glasgow, na Escócia, e foi recebido com festa por um país de apenas 10 mil habitantes.
Uma campanha inusitada até o pódio
O caminho de Taafaki até o bronze foi tudo menos tradicional. Ela era uma das cinco boxeadoras inscritas na categoria de 75kg. Com o chaveamento, a tuvaluana recebeu um bye – ou seja, um passe direto – para as semifinais, sem precisar lutar nas fases anteriores. Na semifinal, disputada na última sexta-feira, ela acabou derrotada pela indiana Lovlina Borgohain, mas isso não a tirou do pódio.
Isso porque os Jogos da Commonwealth não têm disputa pela medalha de bronze. Todos os boxeadores eliminados nas semifinais recebem a medalha automaticamente. Com isso, Taafaki garantiu o terceiro lugar sem ter vencido nenhum combate na competição. Apesar da situação curiosa, a atleta comemorou o feito com entusiasmo.
“Estou muito orgulhosa e muito feliz por poder representar meu país neste grande palco. Provavelmente 95% do público não sabe onde fica meu país, então me sinto muito privilegiada por representar Tuvalu”, disse Taafaki, que é uma das oito atletas olímpicas e paralímpicas de Tuvalu em Glasgow na edição deste ano.
Estrutura improvisada e sonho olímpico
Para entender a dimensão da conquista, é preciso conhecer as condições de treinamento em Tuvalu. A nação, que é a quarta menor do mundo em área, com apenas 26 quilômetros quadrados, tem pouquíssima infraestrutura esportiva. Segundo a própria boxeadora, os atletas locais usam a pista do aeroporto da ilha como local de treino, por ser a área mais estável e plana do território.
“Sim, treinamos na pista. Quando um avião pousa, todos se afastam. Assim que ele decola, voltamos para o asfalto, porque não há outro lugar para treinar”, contou Taafaki, que hoje vive na Nova Zelândia, onde pode treinar em instalações mais adequadas ao boxe de alto rendimento.
O pai da atleta, Badi Taafaki, também é seu treinador e acompanhou a campanha de perto. Para ele, a medalha é um marco que transcende o esporte. “Para o povo de Tuvalu, esta medalha significa tudo. Somos uma das menores nações do mundo, então uma medalha como esta é extremamente significativa. Trabalhamos muito para chegar até aqui. Se conseguirmos ganhar medalhas, mais pessoas em todo o mundo reconhecerão Tuvalu e começarão a entender os desafios que enfrentamos por causa das mudanças climáticas. É algo muito real para nós. A erosão costeira é inacreditável, e a contagem regressiva agora é medida em anos, não em décadas”, afirmou Badi.
O impacto das mudanças climáticas
A relação entre o esporte e a crise climática é uma constante no discurso de Badi Taafaki. A capital do país, Funafuti, está sob ameaça direta do aumento do nível do mar. Especialistas preveem que metade da capital, Funafuti, poderá ficar submersa até 2050. Para o treinador, a medalha conquistada pela filha pode ajudar a chamar a atenção do mundo para a situação crítica das ilhas do Pacífico.
Além do significado emocional e ambiental, a conquista representa um avanço histórico para Tuvalu nos Jogos da Commonwealth. Nunca antes um atleta do país havia subido ao pódio na tradicional competição. A medalha de Taafaki agora entra para o seleto grupo de feitos que colocam as pequenas nações em evidência no cenário esportivo internacional.



