Paulo Betti no Bonito CineSur: festival valoriza cultura fora do eixo
Paulo Betti: festival valoriza cultura fora do eixo

O ator Paulo Betti participou, na tarde desta sexta-feira (1º), de uma conversa aberta com o público durante o 4º Bonito CineSur, Festival de Cinema Sul-Americano de Bonito, em Mato Grosso do Sul. O encontro, realizado em clima descontraído, reuniu admiradores do artista e pessoas interessadas em produção cultural. Na ocasião, Betti relembrou momentos da infância, falou sobre a carreira no teatro e na televisão, incentivou novos artistas e destacou a importância do festival para a valorização da produção cultural fora do eixo Rio-São Paulo. O evento, que já faz parte do calendário cultural do estado, atraiu um público diverso, entre moradores e turistas.

Em entrevista ao g1, Paulo Betti afirmou que o Bonito CineSur tem papel importante na divulgação de produções realizadas fora dos grandes centros culturais do país. Segundo o ator, a proposta do festival é um diferencial no cenário nacional. “Tem festival em todo lugar, mas em Bonito é muito mais interessante”, destacou.

O artista também elogiou Bonito e afirmou que a combinação entre natureza e programação cultural torna a cidade um destino diferenciado. “Quando você fala que veio para Bonito, todo mundo fica com inveja. Estou só pensando em quem vou trazer para conhecer esse lugar maravilhoso”, disse. Para Paulo Betti, as características do município favorecem encontros e experiências que dificilmente aconteceriam em outros polos culturais. “Bonito entrega mais do que promete”, resumiu.

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Bate-papo com o público

Conhecido por interpretar o personagem Téo Pereira na novela “Império”, da TV Globo, Betti comandou uma “charla”, formato de conversa informal promovido pelo evento. O bate-papo foi marcado por histórias da carreira, reflexões sobre a profissão e interação com o público. Segundo o ator, ele prefere encontros abertos a palestras ou oficinas tradicionais porque permitem uma troca mais próxima com quem deseja seguir carreira artística.

“Gosto de conversar, trocar experiências sobre a carreira, sobre o que é essa profissão”, afirmou. Para Betti, esses momentos também ajudam a discutir o papel do artista, suas responsabilidades e os desafios da profissão. Durante a conversa, o ator definiu a atuação como uma combinação de vaidade e insegurança, características que, segundo ele, fazem parte da trajetória de muitos profissionais da área. Ele observou que o artista precisa lidar com a exposição e a crítica constantes, algo que nem sempre é fácil.

Betti também incentivou o público a criar e desenvolver projetos artísticos nas próprias cidades, sem esperar por oportunidades externas. “Faça teatro aqui em Bonito, mas corra atrás de bons textos. Não fique esperando chamarem você para fazer. Vá lá e faça”, aconselhou. A dica, segundo ele, vale para qualquer região do país que esteja fora do eixo cultural.

Memórias e reflexões sobre a profissão

Ao lembrar os primeiros contatos com a atuação, Betti contou que foi coroinha na infância e que já sonhava em ser ator desde cedo. “Eu já queria estar diante do público”, relembrou. O ator também comentou as comparações entre diferentes gerações de artistas e disse que evita julgar a trajetória profissional dos colegas. “Não gosto de julgar”, afirmou. Como exemplo, citou artistas que alcançaram sucesso sem experiência no teatro, como Glória Pires, Vera Fischer e Grazi Massafera.

Betti também disse que não acredita em métodos radicais de preparação para atuação. Segundo ele, os atores enfrentam cobranças excessivas e não precisam ultrapassar limites para exercer a profissão. “Eu gosto de ficar muito na defesa do ator. Todo mundo quer que o ator se mate. A gente não precisa se matar para fazer esse trabalho”, comentou. Para o ator, a saúde mental e o bem-estar são essenciais em uma carreira tão instável.

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Festival fortalece cultura fora do eixo

O Bonito CineSur, que chega à 4ª edição, se consolida como um espaço de encontro entre artistas e plateias. Para Paulo Betti, o evento vai além da exibição de filmes: é uma oportunidade para aproximar o público de quem produz cultura fora dos grandes centros. A combinação da programação com as belezas naturais de Bonito cria um ambiente único para a troca de experiências e para o surgimento de novos projetos artísticos. Essa descentralização é fundamental para revelar novos talentos e contar histórias que não encontram espaço nos grandes veículos.

O ator deixou uma mensagem para quem deseja trilhar o caminho das artes: a importância de começar localmente, valorizando o próprio território. Com sua participação no festival, Betti reforçou não apenas o papel do ator como contador de histórias, mas também como agente de transformação cultural em regiões que muitas vezes ficam à margem dos grandes polos do país. A passagem do artista por Bonito deixa um incentivo para que novos talentos surjam e encontrem espaço para se expressar.