Cleitinho volta a pedir vaga no Republicanos para disputar governo de MG
Cleitinho volta a pedir vaga no Republicanos para governo de MG

O senador Cleitinho (Republicanos-MG) voltou a pedir publicamente à executiva nacional do partido que lhe seja reservada a vaga para concorrer ao governo de Minas Gerais nas eleições de 2026. A declaração ocorreu após o parlamentar anunciar, na semana passada, que desistiria da pré-candidatura, mas agora ele afirma que a decisão final depende da legenda.

Recuo na desistência e novo apelo

Em entrevista coletiva realizada na manhã desta terça-feira, em Belo Horizonte, Cleitinho explicou que sua desistência foi interpretada de forma equivocada e que, na verdade, ele aguarda uma definição do partido. "Eu não desisti do projeto. O que eu disse é que não vou disputar se o partido não me der o apoio necessário. Mas continuo à disposição e reafirmo meu nome para a disputa", afirmou o senador.

O movimento ocorre em meio a um impasse interno no Republicanos. Enquanto parte da cúpula nacional defende uma aliança com o PL para apoiar a reeleição do governador Romeu Zema (Novo), outra ala, liderada por Cleitinho, insiste em candidatura própria. Segundo fontes ouvidas pela reportagem, o presidente nacional do partido, Marcos Pereira, deve se reunir com as lideranças mineiras até o fim do mês para bater o martelo.

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Pesquisas e cenário eleitoral

Pesquisa recente do instituto DataMG, divulgada no último domingo, mostra Cleitinho com 18% das intenções de voto em cenário espontâneo para o governo estadual, atrás de Zema (34%) e do ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), que soma 22%. No cenário estimulado, o senador alcança 24%, o que o coloca tecnicamente empatado com Kalil dentro da margem de erro.

Os números reforçam o argumento de Cleitinho de que ele é o nome mais competitivo do partido para a sucessão estadual. "Os dados mostram que temos condições de vencer. O Republicanos não pode abrir mão de um projeto que já tem capilaridade em todas as regiões de Minas", declarou, citando os 12 prefeitos eleitos pela sigla no estado e os 34 vereadores em cidades estratégicas.

Pressão da base e articulação política

Aliados do senador intensificaram nos últimos dias uma mobilização nas redes sociais e em eventos regionais para pressionar a direção nacional. O deputado estadual João Vítor (Republicanos-MG) organizou um manifesto assinado por 47 lideranças municipais do partido, entregue à executiva na segunda-feira. "O Cleitinho é o nome que une o partido e que tem diálogo com o eleitorado do interior. Não podemos desperdiçar essa força", disse Vítor.

Em contrapartida, o presidente do diretório estadual, deputado federal Marcelo Álvaro Antônio, defende a aliança com Zema e argumenta que a legenda precisa priorizar a eleição proporcional. "Temos uma bancada federal a preservar. Uma candidatura própria de alto risco pode comprometer a eleição de deputados", ponderou, em nota.

Histórico de disputas e decisão iminente

Cleitinho, que foi eleito senador em 2022 com mais de 2 milhões de votos, já havia demonstrado interesse em disputar o Palácio da Liberdade nas eleições passadas, mas acabou recuando por falta de estrutura. Desta vez, ele diz que conta com o apoio de parte do centrão e de setores do agronegócio, que veem com preocupação a gestão de Zema na área de infraestrutura.

O impasse deve ser resolvido na convenção estadual do partido, marcada para o dia 20 de agosto. Até lá, Cleitinho promete percorrer as 17 macrorregiões de Minas Gerais para apresentar seu plano de governo, focado em segurança pública, geração de empregos e saneamento básico. "Vou levar minha proposta a cada cidadão. O partido decidirá, mas o povo mineiro já sabe o que quer: mudança", concluiu.

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