Cleitinho lidera pesquisas em MG, mas Republicanos barra candidatura
Cleitinho lidera pesquisas, mas Republicanos barra candidatura

O senador Cleitinho (Republicanos-MG) chegou ao fim de julho como favorito nas pesquisas para o governo de Minas Gerais, mas o partido decidiu retirar sua candidatura. A definição veio do presidente nacional da legenda, Marcos Pereira, que confirmou à GloboNews que Cleitinho não disputará o Palácio Tiradentes. Em seguida, o Republicanos sinalizou apoio ao ex-secretário de Governo Marcelo Aro (PP), encerrando um impasse que travava a formação dos palanques no estado.

Pesquisa mostra vantagem expressiva

De acordo com pesquisa Genial/Quaest divulgada em 28 de julho, Cleitinho liderava isoladamente a disputa, com 34% a 35% das intenções de voto nos cenários estimulados, abrindo vantagem de 22 a 23 pontos percentuais sobre os demais concorrentes. Atrás dele apareciam Alexandre Kalil (PDT), Patrus Ananias (PT) e o governador Mateus Simões (PSD), separados por até seis pontos percentuais, dentro da margem de erro de três pontos.

Ausência na convenção foi o ponto de ruptura

Mesmo liderando as pesquisas, Cleitinho deixou passar o calendário partidário. No sábado, 25 de julho, ele não compareceu à convenção estadual do Republicanos, reunião em que sua candidatura deveria ser formalizada. A ausência foi tratada pela direção da legenda como um divisor de águas. Em nota, as executivas nacional e estadual afirmaram que “a ausência do senador na Convenção Estadual do Republicanos — apesar das justificativas pessoais — representou um fato político objetivo, que produziu consequências inevitáveis”. O comunicado também criticou diretamente o comportamento de Cleitinho: “O partido trabalhou duro para que essa candidatura pudesse acontecer. O que faltou foi a decisão inequívoca de quem deveria ser, em primeiro lugar, candidato de si mesmo.”

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Indefinição afetou alianças nacionais

A demora de Cleitinho produziu efeitos além da eleição estadual. O PL esperava sua definição para consolidar o palanque de Flávio Bolsonaro em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país. Como o senador nunca confirmou apoio explícito ao pré-candidato do partido à Presidência, a aliança permaneceu incompleta. O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que Cleitinho perdeu o momento adequado para decidir. “Cleitinho muda de ideia toda hora. Perdeu o timing até com o partido, com o Marcos Pereira. Ele é um bom senador. Mas para o Executivo vai ter dificuldade. O mineiro é educado, calmo. Cleitinho daquele jeito mais intenso não vai conseguir vencer no segundo turno”, disse.

Republicanos aposta em Marcelo Aro

Com o encerramento da negociação, o Republicanos sinalizou apoio a Marcelo Aro. A decisão foi acertada em reunião no dia 28 de julho, com participação de Aro, Flávio Bolsonaro e Marcos Pereira, por videoconferência. A possível candidatura de Aro surgiu após mudanças no grupo do governador Mateus Simões. Inicialmente cotado para disputar o Senado, Aro perdeu espaço com a entrada do senador Carlos Viana (PSD) na chapa governista e decidiu concorrer ao Executivo.

Popularidade não bastou para garantir candidatura

Nos bastidores, dirigentes de diferentes legendas avaliam que a liderança nas pesquisas nunca foi suficiente para garantir a candidatura do senador. Embora reconhecessem seu potencial eleitoral, interlocutores envolvidos nas negociações afirmavam haver dúvidas sobre sua disposição para disputar o cargo e sobre sua capacidade de administrar um estado com a complexidade política e fiscal de Minas Gerais. A decisão do Republicanos indica que, diante da demora, o partido optou por priorizar uma candidatura considerada mais previsível para a montagem das alianças estaduais e nacionais. No fim, Cleitinho deve deixar a pré-campanha como o nome mais competitivo nas pesquisas e, ao mesmo tempo, fora da disputa.

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