Apesar de liderar todas as pesquisas de intenção de voto para o governo de Minas Gerais, o senador Cleitinho (Republicanos-MG) comunicou ao Partido Liberal (PL) que não pretende ser candidato ao cargo. A decisão foi motivada pela recente perda de seu irmão, Matheus Azevedo, vítima de leucemia. Desde então, Cleitinho cancelou compromissos e deixou claro que não deseja tratar do tema durante o luto. Ele não compareceu à convenção do Republicanos no último sábado (25), que poderia oficializar sua candidatura.
Morte do irmão abala planos eleitorais
Cleitinho, eleito senador em 2022 com a maior votação da história de Minas Gerais, era o nome mais forte do campo conservador para o governo estadual. Pesquisas Quaest recentes mostravam sua liderança isolada em todos os cenários testados. No entanto, a morte do irmão Matheus Azevedo, ocorrida na última semana, mudou seus planos. O senador cancelou agendas públicas e informou a aliados que não teria condições emocionais de disputar o cargo neste momento. A ausência na convenção do Republicanos, que estava marcada para lançá-lo, foi o sinal definitivo da desistência.
PL busca novo palanque em Minas
A informação sobre a desistência de Cleitinho chegou rapidamente ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e ao coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, Rogério Marinho. Sem Cleitinho, Flávio Bolsonaro ficou sem palanque em Minas Gerais, um dos maiores colégios eleitorais do país. O PL tem proximidade com o programa de governo do vice-governador Mateus Simões (PSD), mas Simões apoia nacionalmente seu padrinho político, o governador Romeu Zema (Novo), o que impede uma aliança formal com o PL. As primeiras alternativas cogitadas foram o ex-prefeito de Betim, Vittorio Medioli, e o ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe — ambos filiados ao PL. No entanto, pesquisas internas indicam baixa viabilidade eleitoral desses nomes.
Marcelo Aro surge como alternativa
Diante do impasse, um novo nome ganhou força: o ex-deputado federal Marcelo Aro (PP). Aro foi ministro do Turismo no governo de Jair Bolsonaro e secretário de Governo de Romeu Zema. Inicialmente, ele pretendia ser candidato ao Senado na chapa de Mateus Simões, mas a filiação do senador Carlos Viana (PSD) ao PSD — e o consequente apoio de Simões à reeleição de Viana — fez com que Aro mudasse de planos. Agora, ele busca construir sua própria candidatura ao governo de Minas Gerais. Segundo interlocutores, a entrada do PL na aliança de Aro atrairia 11 partidos, garantindo-lhe 60% do tempo de rádio e televisão e a capilaridade de mais de mil candidatos a deputado estadual e federal. Pesquisas internas indicam que Aro seria mais competitivo que os nomes do PL e ofereceria um palanque mais sólido para Flávio Bolsonaro. Além disso, apoiar a candidatura de Aro é visto por integrantes da campanha de Flávio como um gesto para reverter a neutralidade da federação PP-União Brasil em nível nacional.
Possível vice de Aro
Outra peça em negociação é a vaga de vice-governador. O nome mais cotado é o do deputado estadual Eduardo Azevedo (PL-MG), irmão de Cleitinho. Eduardo herdou parte da base política do senador e pode ser o elo entre o PL e o Republicanos na chapa de Aro. A definição deve ocorrer nas próximas semanas, à medida que as lideranças partidárias buscam consolidar uma aliança capaz de enfrentar a candidatura da situação, que ainda não foi definida.



