Projeto de lei quer proibir estepe fino em veículos novos no Brasil
PL quer proibir estepe fino em veículos novos

Um projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional pode mudar a forma como os veículos novos são vendidos no Brasil. A proposta, de autoria do deputado Pastor Gil (PL-MA), quer proibir que carros zero-quilômetro saiam de fábrica com o chamado “estepe fino” – aquele pneu menor, de uso temporário e limitado.

O que diz o projeto

O texto determina que todas as montadoras, importadoras e comerciantes passem a fornecer, como item de série, um pneu estepe com as mesmas dimensões, capacidade de carga e índice de velocidade dos demais pneus instalados no veículo. A regra valeria para veículos de passeio, utilitários, veículos comerciais leves, SUVs, picapes e quaisquer outros automotores destinados à circulação em vias públicas.

Segundo o deputado Pastor Gil, a medida visa aumentar a segurança dos condutores. “O estepe temporário é uma solução paliativa que coloca o motorista em risco, especialmente em viagens longas ou em condições adversas. Nosso objetivo é garantir que todos tenham acesso a um equipamento que permita a substituição segura e definitiva do pneu avariado”, afirmou o parlamentar em justificativa ao projeto.

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Fiscalização e penalidades

A fiscalização do cumprimento da lei ficará a cargo dos órgãos de trânsito e dos órgãos de defesa do consumidor. Caso a determinação seja descumprida, fabricantes, importadoras e comerciantes estarão sujeitos a multa proporcional ao valor do veículo. Além disso, serão obrigados a substituir gratuitamente o estepe temporário por um modelo integral. A ausência do estepe adequado será considerada vício de produto, o que pode gerar outras sanções previstas no Código de Defesa do Consumidor.

Por que o estepe fino existe?

O estepe temporário tornou-se comum em muitos modelos de veículos por duas razões principais: ocupa menos espaço no porta-malas e pesa menos que um conjunto convencional de roda e pneu. Isso permite que as montadoras reduzam o peso total do carro e otimizem o espaço interno, melhorando consumo de combustível e desempenho.

No entanto, esse tipo de estepe foi projetado para uso apenas em curtas distâncias e em velocidades reduzidas – geralmente até 80 km/h. As recomendações variam conforme o fabricante, mas o uso costuma ser restrito a, no máximo, 50 km. Ignorar essas limitações pode comprometer a segurança do veículo e dos ocupantes.

Próximos passos

O projeto de lei ainda está em fase inicial de discussão no Congresso Nacional. Poderá sofrer alterações antes de uma eventual votação e aprovação. Não há prazo definido para que entre em vigor, caso seja aprovado.

A proposta já gerou reações divergentes. De um lado, entidades de defesa do consumidor apoiam a medida, alegando que a segurança deve vir em primeiro lugar. De outro, associações de montadoras argumentam que a obrigatoriedade do estepe integral pode aumentar o peso e o custo dos veículos, impactando a competitividade do setor.

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