Tesouro explica resultado do governo central acumulado no ano com pagamento de precatórios
Tesouro: resultado do governo central no ano é explicado por precatórios

Déficit primário e precatórios

O Tesouro Nacional divulgou nesta quinta-feira (30) que o resultado primário do governo central acumulado em 2026 registrou déficit de R$ 120 bilhões, explicado principalmente pelo pagamento de precatórios. Segundo o secretário do Tesouro, Rogério Ceron, sem esses gastos extraordinários, o déficit seria de R$ 50 bilhões.

O pagamento de precatórios, que são dívidas judiciais reconhecidas pelo governo, somou R$ 70 bilhões no período, ante uma previsão inicial de R$ 40 bilhões. Esse montante elevou o déficit primário para além do esperado pelo mercado.

Impacto nas metas fiscais

O resultado fiscal acumulado no ano compromete o cumprimento da meta de resultado primário estabelecida no Orçamento, que previa um déficit de até R$ 100 bilhões. Com os precatórios, o déficit ficou R$ 20 bilhões acima do limite máximo permitido pela regra fiscal.

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“Os precatórios representam um volume significativo e fora do normal, impactando diretamente as contas públicas”, afirmou Ceron. Ele destacou que o governo está avaliando medidas para compensar esse efeito, como contingenciamento de despesas discricionárias.

Receitas e despesas

Do lado das receitas, a arrecadação federal totalizou R$ 1,8 trilhão no acumulado do ano, crescimento real de 2% em relação ao mesmo período de 2025. As despesas obrigatórias somaram R$ 1,5 trilhão, enquanto as discricionárias ficaram em R$ 300 bilhões.

Apesar do aumento da arrecadação, o crescimento das despesas obrigatórias, especialmente com Previdência e pessoal, pressionou o resultado fiscal. O Tesouro reforçou que o pagamento de precatórios foi o principal fator excepcional que elevou o déficit.

Perspectivas

Para o fechamento do ano, o Tesouro projeta um déficit primário de R$ 150 bilhões, considerando a continuidade dos pagamentos de precatórios e a dificuldade de conter gastos. Ceron afirmou que a equipe econômica busca alternativas para evitar o estouro do teto de gastos e garantir a credibilidade fiscal.

O mercado financeiro já precifica um risco maior de descumprimento da meta fiscal, com impacto nos juros futuros e na cotação do dólar. A divulgação do resultado ocorre em meio a negociações no Congresso sobre o Orçamento de 2027.

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