A União das Associações Europeias de Futebol (Uefa) aprovou nesta quinta-feira uma resolução histórica que recomenda o boicote das seleções europeias à Copa do Mundo de 2026. A medida é uma resposta direta aos planos da Federação Internacional de Futebol (Fifa) de vender uma participação acionária do torneio para investidores privados, movimento que a Uefa considera uma ameaça à integridade e à governança do esporte.
Decisão unânime entre federações
A resolução foi aprovada por 38 votos a 2 durante uma reunião de emergência em Nyon, na Suíça. Segundo comunicado oficial, a Uefa entende que a venda de participação acionária da Copa do Mundo pode comprometer a autonomia da Fifa e desvirtuar os princípios esportivos. "É inaceitável que o maior torneio de futebol do mundo seja tratado como um ativo financeiro para especuladores", declarou Aleksander Ceferin, presidente da Uefa, em nota.
A decisão ocorre após a Fifa, em junho, confirmar conversas com fundos de investimento do Oriente Médio e dos Estados Unidos para vender uma fatia de até 25% dos direitos comerciais das próximas duas edições da Copa, segundo fontes internas. O valor estimado da transação gira em torno de US$ 20 bilhões.
Impacto no calendário e nas seleções
Caso o boicote seja implementado, todas as 55 federações filiadas à Uefa seriam orientadas a não participar do torneio. Isso inclui potências como França, Alemanha, Espanha e Inglaterra, vencedoras das últimas três edições. A ausência das seleções europeias reduziria drasticamente a audiência e o valor comercial do evento.
O presidente da Federação Francesa, Philippe Diallo, afirmou: "Não podemos apoiar uma transformação que retire o futebol do controle das confederações e o coloque nas mãos de acionistas. Estamos com a Uefa". Apenas duas federações, Bósnia e Luxemburgo, votaram contra a resolução por considerarem o boicote extremo.
Reação da Fifa e possíveis consequências
A Fifa lamentou a decisão em nota oficial. "A venda de participação acionária visa fortalecer o futebol global e gerar receitas para desenvolver o esporte em todos os continentes. Lamentamos que a Uefa opte pelo confronto em vez do diálogo", disse o porta-voz da entidade. A entidade máxima do futebol pode ameaçar suspender as federações europeias, o que as impediria de participar de competições da Uefa, como a Liga dos Campeões.
Especialistas apontam que um boicote traria prejuízos bilionários para ambas as partes. A Copa do Mundo de 2022 gerou receitas de US$ 7,5 bilhões para a Fifa; sem a Europa, esse valor poderia cair para menos da metade.
Próximos passos
A resolução da Uefa agora será submetida ao Congresso da entidade, marcado para setembro, onde se tornará definitiva. Caso seja confirmada, as seleções europeias não participarão dos sorteios e das eliminatórias para 2026. A Uefa também estuda boicotar a Copa do Mundo Feminina de 2027, caso a venda de participação seja estendida a ela.



