Opções do governo Lula para responder ao tarifaço dos EUA
Opções de Lula contra tarifaço dos EUA

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva estuda um pacote de medidas para responder ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos, que entrou em vigor nesta quarta-feira (22). As opções incluem desde a taxação de serviços de big techs americanas até a quebra de patentes de medicamentos, mas a prioridade ainda é o diálogo para evitar uma escalada na guerra comercial.

Medidas em análise no Planalto

Segundo fontes do Palácio do Planalto, a equipe econômica avalia três frentes principais de retaliação. A primeira é a aplicação da Lei de Reciprocidade, que permite ao Brasil elevar tarifas sobre produtos americanos na mesma proporção das barreiras impostas por Washington. A segunda frente envolve a taxação de serviços digitais de empresas como Google, Meta e Amazon, que hoje têm tratamento tributário privilegiado no país. A terceira, considerada mais agressiva, seria a quebra de patentes de medicamentos e tecnologias americanas, com base em cláusulas de saúde pública da OMC.

O tarifaço de Trump, anunciado na semana passada, sobretaxa em 25% as importações de aço e alumínio brasileiros, além de impor tarifas de até 200% sobre medicamentos genéricos importados. O Brasil é o segundo maior fornecedor de aço para os EUA, atrás apenas do Canadá.

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Impacto econômico e setorial

De acordo com estimativas do Ministério da Economia, as exportações brasileiras de aço para os EUA somaram US$ 3,2 bilhões em 2024, e a nova tarifa pode reduzir esse fluxo em até 40%. O setor siderúrgico já sinalizou que pode demitir 15 mil trabalhadores se a medida não for revertida. “Estamos monitorando a situação e buscando alternativas de mercado na Ásia e na Europa”, disse o presidente do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes.

Para o agronegócio, o tarifaço sobre medicamentos genéricos preocupa menos diretamente, mas especialistas apontam que a escalada pode afetar insumos agrícolas importados dos EUA, como fertilizantes e defensivos.

Diálogo ainda é prioridade

Apesar das ameaças de retaliação, o governo Lula ainda aposta na negociação direta com a administração Trump. O embaixador brasileiro em Washington, Maurício Carvalho, já iniciou conversas informais com o Departamento de Comércio americano. “O presidente Lula deixou claro que prefere o diálogo, mas não vai recuar diante de medidas unilaterais”, afirmou o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, em entrevista coletiva.

Uma reunião entre os chanceleres dos dois países está prevista para a próxima semana, em paralelo à Assembleia Geral da ONU. No entanto, analistas políticos veem espaço limitado para acordo, dado o tom agressivo de Trump em sua campanha de reeleição.

Reação do Congresso e da oposição

No Congresso, a oposição já articula uma convocação do ministro da Economia para prestar esclarecimentos. O líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), defendeu uma resposta “proporcional e inteligente”. Já o ex-presidente Jair Bolsonaro usou as redes sociais para criticar Lula: “Enquanto o Brasil perde mercado, o governo só pensa em aumentar impostos”.

O Datafolha deve medir o impacto eleitoral do tarifaço na disputa entre Lula e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, em pesquisa prevista para a próxima semana. Especialistas avaliam que a crise comercial pode beneficiar candidatos com discurso protecionista.

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