Lula na SBPC: não vou 'brigar' com EUA e China, foco é ciência e educação
Lula: não vou brigar com EUA e China, foco é ciência

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira, 28, durante a 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Niterói (RJ), que não pretende entrar em confronto direto com Estados Unidos e China. “Eu não tenho os aviões, os tanques, as bombas e o dinheiro que eles têm, nem o conhecimento científico e tecnológico que eles têm. E ao invés de ficar brigando, eu quero derrotá-los estudando, investindo e pesquisando mais do que eles”, declarou o presidente.

Lula defende ciência e educação em vez de confronto

Lula reforçou a importância da ciência e da educação como ferramentas para o desenvolvimento do Brasil, destacando que o país precisa superar potências globais por meio do conhecimento, e não da força militar ou econômica. A fala ocorreu em um evento tradicionalmente voltado para a comunidade científica, e o presidente aproveitou para ressaltar que sua gestão priorizará investimentos em pesquisa e inovação. “Não adianta querer competir com quem tem mais poder de fogo. Temos que competir com inteligência”, acrescentou.

O discurso de Lula na SBPC também abordou a necessidade de reconstruir o sistema científico brasileiro, que sofreu cortes orçamentários nos últimos anos. O presidente prometeu retomar o financiamento de bolsas de estudo e projetos de pesquisa, além de fortalecer universidades públicas.

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Reeleição sem promessas: Lula pede voto baseado no que fez

Lula também tratou de sua eventual candidatura à reeleição nas eleições de 2026. “Eu sou presidente da República, não posso fazer promessas em uma campanha. Se vocês tiverem que votar, votem pelo que eu fiz, e não pelo que eu vou fazer. Porque o que eu fiz é certeza, o que eu vou fazer, não é. A certeza é uma relação de confiança”, declarou. A declaração contrasta com o estilo de campanhas anteriores e sinaliza uma estratégia de basear a candidatura na avaliação de seu mandato.

Uma pesquisa AtlasIntel divulgada recentemente mostra Lula na liderança do primeiro turno com 44,9% das intenções de voto, contra 35,8% do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A vantagem se mantém dentro da margem de erro, mas reforça a estabilidade da disputa eleitoral. O instituto também registrou oscilações mínimas nos cenários de segundo turno.

Em relação à situação jurídica de Bolsonaro, que é inelegível até 2030, Lula evitou comentários diretos, mas questionou por que o ex-presidente não pode fazer o que Lula fez quando esteve preso. Especialistas apontam diferenças processuais: Lula cumpria pena em regime semiaberto após condenação em segunda instância, enquanto Bolsonaro aguarda julgamento de ações que podem levar à prisão, mas ainda sem sentença definitiva.

Governo interino do Rio: 'milagre da política'

Lula também se dirigiu ao governador interino do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, presente no evento. O presidente afirmou que Couto “pode fazer, no cargo de governador provisório, aquilo que nenhum eleito será capaz de fazer”. Para Lula, “é o milagre da política, é o improvável acontecer na vida da gente. Muitos governadores eleitos jamais teriam coragem de vir numa SBPC. E muitos candidatos a presidentes e a governadores também não terão coragem de vir”.

O desembargador assumiu o governo fluminense após uma crise na linha sucessória: o ex-governador Cláudio Castro renunciou às vésperas de sua condenação pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE); o vice-governador deixou o cargo para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ); e o presidente da Assembleia Legislativa (Alerj) foi afastado por decisões judiciais. Lula elogiou a postura de Couto e destacou a importância de lideranças quebrem paradigmas, mesmo em cargos temporários.

A visita de Lula à SBPC foi acompanhada por ministros e autoridades locais, e o presidente encerrou sua participação com um chamado à união nacional em torno da ciência. “O Brasil não pode prescindir do conhecimento. Se quisermos ser uma nação soberana, temos que investir em pesquisa e educação”, concluiu.

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