Governo pode vetar crédito rural que gera impacto de R$ 140 bi
Governo pode vetar crédito rural com impacto de R$ 140 bi

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quarta-feira (10) que o governo federal avalia vetar ou recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) caso o projeto de lei que cria uma linha especial de crédito rural para a renegociação de dívidas de produtores seja aprovado na Câmara dos Deputados. O Senado já aprovou o texto nesta quarta, mesmo sem o apoio do governo.

Votação no Senado

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), incluiu o item na pauta de votações do plenário apesar da falta de apoio do governo. Os benefícios serão destinados a produtores rurais afetados por eventos climáticos extremos ou impactos econômicos decorrentes de conflitos geopolíticos internacionais. Como a proposta sofreu alterações no Senado, o texto precisará passar por nova deliberação na Câmara dos Deputados antes de seguir para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Impacto financeiro

O projeto é tratado como uma pauta-bomba devido ao impacto bilionário que pode gerar nas contas do governo. Segundo o Ministério da Fazenda, se todos os produtores aptos aderirem ao refinanciamento, o impacto na dívida pública pode chegar a R$ 140 bilhões. O relator do projeto no Senado, Renan Calheiros (MDB-AL), contesta esse número, afirmando que o impacto será menor, de R$ 120 bilhões nos próximos dez anos. Ele explica que o texto se limita a dívidas atrasadas do setor, não a todo o estoque.

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O que é uma pauta-bomba?

O termo é usado no Congresso Nacional para designar projetos de lei ou propostas que criam despesas bilionárias ou reduzem a arrecadação, causando forte impacto negativo nas contas públicas. O ministro Durigan se encontrou com Alcolumbre na terça-feira (9) para tentar evitar a votação de projetos com efeitos negativos, sendo a renegociação da dívida dos produtores uma dessas propostas.

Governo não apoia

Na tarde desta quarta, o relator Renan Calheiros e a senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura no governo Jair Bolsonaro (PL), reuniram-se com o ministro da Fazenda. Tanto os senadores quanto Alcolumbre informaram que o governo não apoiava a medida no formato do parecer de Calheiros. Mesmo assim, o presidente do Senado decidiu votar o texto. Alcolumbre declarou: "O ministro informou que o texto que será relatado não tem acordo, o apoio do governo. Respeito a posição do ministro, mas fiz acordo com senadores, com deputados. Eu publicamente vou informar que não há acordo com governo, mas vou deliberar hoje o relatório".

Detalhes da renegociação

O texto prevê a utilização de recursos do Fundo Social — fundo federal criado a partir das receitas do petróleo do pré-sal — para bancar o subsídio. As taxas de juros variam conforme o porte do produtor rural:

  • 3,5% ao ano para agricultores do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) e pequenos produtores;
  • 5,5% ao ano para os ruralistas adeptos do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e demais médios produtores;
  • 7,5% ao ano para os demais produtores rurais.

Os financiamentos serão fornecidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e terão como limite:

  • R$ 10 milhões por beneficiário;
  • R$ 50 milhões para associações e cooperativas.

O prazo de pagamento é de 10 anos, com 3 anos de carência. A linha contempla operações de custeio, investimento, comercialização e industrialização, além de Cédulas de Produto Rural (CPR) e dívidas com cerealistas, cooperativas e fornecedores de insumos.

Fontes do financiamento

De acordo com a proposta, o governo poderá utilizar recursos do Fundo Social originados:

  • das receitas correntes de 2026 e 2027;
  • do superavit financeiro apurado em 31 de dezembro de 2025 e 2026.

Além disso, poderão ser utilizados recursos de fundos regionais, como o Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO), do Nordeste (FNE) e do Centro-Oeste (FCO), e o Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) para implementar as medidas previstas.

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Fundo Social

Os recursos virão do superávit financeiro do Fundo Social apurado ao fim de 2025, das receitas correntes de 2026 e 2027 e de outras fontes supervisionadas pelo Ministério da Fazenda. O limite global da operação será definido pelo Poder Executivo. O projeto também suspende cobranças judiciais e administrativas das dívidas abrangidas durante o período de contratação do financiamento e garante ao produtor o direito de pedir revisão do cálculo dos encargos sem sofrer restrições em cadastros de crédito. Após a aprovação, o Poder Executivo terá até 180 dias após o prazo final de contratação para apresentar ao Congresso um relatório com os valores e operações efetivamente contratados.