O governo brasileiro liberou três vezes mais recursos de emendas de comissão no Senado para partidos que compõem a base de apoio à reeleição do presidente Lula do que para o Partido Liberal (PL), liderado por Flávio Bolsonaro. Dados obtidos pela reportagem mostram que senadores do PT, PSB e PDT receberam, em média, R$ 34,1 milhões cada, enquanto os parlamentares do PL ficaram com uma média de R$ 9,7 milhões.
Diferença significativa na liberação de verbas
As emendas de comissão são recursos indicados pelas comissões temáticas do Senado e liberados pelo governo. A diferença nos valores médios por senador evidencia um tratamento desigual entre as legendas. Enquanto aliados de Lula tiveram acesso a montantes mais elevados, os oposicionistas do PL receberam menos de um terço desse valor.
Posição do governo
A Secretaria de Relações Institucionais (SRI), responsável pela liberação das emendas, negou qualquer favorecimento político. Em nota, o órgão afirmou que os recursos são liberados de acordo com a 'disponibilidade' orçamentária e com os critérios técnicos estabelecidos. A SRI destacou que não há privilégios para partidos aliados e que o processo segue as normas legais.
A oposição, no entanto, questiona a transparência e a isonomia na distribuição das verbas. O PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, já sinalizou que pode recorrer ao Tribunal de Contas da União (TCU) para investigar possíveis irregularidades.
Especialistas apontam que a liberação de emendas é uma ferramenta política importante para o governo garantir apoio no Congresso. Com a aproximação das eleições de 2026, a distribuição de recursos tende a ganhar ainda mais relevância nas negociações entre Executivo e Legislativo.



