Dino manda PF ampliar investigações sobre emendas e pressiona Congresso
Dino manda PF ampliar investigações sobre emendas

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal amplie as investigações sobre irregularidades nas chamadas emendas Pix. A decisão foi tomada após novos achados da Controladoria-Geral da União (CGU) apontarem possíveis desvios na execução dessas verbas. Dino também enviou à PF dados sigilosos sobre emendas destinadas ao Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), órgão vinculado ao Ministério do Desenvolvimento Regional.

Novos elementos da CGU

Em sua decisão, o ministro destacou que os relatórios da CGU revelaram indícios de irregularidades na aplicação de recursos das emendas Pix, modalidade que permite a transferência direta de recursos federais a estados e municípios sem necessidade de convênio. Segundo Dino, os dados indicam que parte desses recursos pode ter sido desviada ou utilizada de forma indevida. O magistrado determinou que a PF aprofunde as apurações, incluindo a análise de documentos sigilosos relacionados ao Dnocs.

Reação do Congresso

A decisão de Dino gerou forte reação no Congresso Nacional. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), defendeu a legalidade das ações da Casa e criticou a postura do STF. "O Congresso age dentro da lei e da transparência. Não podemos aceitar que o Judiciário invada competências que são exclusivas do Legislativo", afirmou Motta. Parlamentares de diferentes partidos também manifestaram descontentamento, classificando a medida como uma interferência indevida.

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Ilegitimidade de ex-parlamentares

Na decisão, Dino também destacou a ilegitimidade de ex-parlamentares e dirigentes partidários em interferirem na alocação de emendas. O ministro argumentou que apenas parlamentares em exercício têm legitimidade para indicar a destinação desses recursos, e que qualquer interferência externa pode configurar desvio de finalidade. A determinação deve pressionar ainda mais as relações entre os Poderes, já que o Congresso tem discutido projetos para limitar decisões individuais de ministros do STF.

Impacto político

A ampliação das investigações ocorre em meio a um ambiente de tensão entre Executivo, Legislativo e Judiciário. As emendas Pix, criadas durante a pandemia, têm sido alvo de críticas por falta de transparência e controle. Dados da CGU apontam que, somente em 2025, foram transferidos mais de R$ 8 bilhões por essa modalidade, sem a devida prestação de contas em muitos casos. A expectativa é que a PF conclua as investigações nos próximos meses, podendo resultar em novas denúncias e até mesmo em ações penais contra envolvidos.

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