O governo central registrou um déficit primário de R$ 92,2 bilhões no primeiro semestre de 2026, valor oito vezes maior que o do mesmo período de 2025, quando o rombo foi de R$ 11,5 bilhões. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira pelo Tesouro Nacional.
Resultado abaixo do esperado
O resultado fiscal veio pior do que as expectativas do mercado, que projetava um déficit de cerca de R$ 80 bilhões para o período. O aumento expressivo é explicado principalmente pela alta dos gastos obrigatórios, como Previdência Social e pessoal, e pela queda na arrecadação de tributos vinculados à atividade econômica.
Segundo o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, o governo já havia sinalizado que o primeiro semestre seria desafiador. "O cenário econômico adverso, com juros elevados e crescimento moderado, impactou diretamente as contas públicas", afirmou Ceron em coletiva de imprensa.
Comparação com 2025
No primeiro semestre de 2025, o déficit havia sido de R$ 11,5 bilhões, resultado muito inferior ao atual. Na ocasião, a arrecadação foi beneficiada por receitas extraordinárias, como concessões e dividendos de estatais. Em 2026, essas receitas não se repetiram na mesma magnitude.
O desempenho das contas públicas também foi afetado pelo aumento de 12% nos gastos com benefícios previdenciários, que somaram R$ 480 bilhões nos seis meses. Já as despesas com pessoal cresceram 8%, alcançando R$ 180 bilhões.
Impacto nas metas fiscais
Com o resultado do primeiro semestre, fica cada vez mais distante o cumprimento da meta fiscal de déficit zero em 2026, prevista no Orçamento. Especialistas já estimam que o rombo pode chegar a R$ 150 bilhões ao final do ano, caso não haja contingenciamento de gastos.
O governo estuda novas medidas de ajuste, incluindo o bloqueio de verbas discricionárias e a revisão de subsídios. "Estamos avaliando todos os instrumentos disponíveis para garantir a sustentabilidade fiscal", disse o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em nota.



