CEO da Stellantis provoca China em evento com Lula após falha de microfone
CEO da Stellantis provoca China em evento com Lula

O CEO global da Stellantis, Antonio Filosa, aproveitou uma falha no microfone para fazer uma provocação às empresas asiáticas durante encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nesta quarta-feira, 22, no Palácio do Planalto. Enquanto apresentava informações sobre os investimentos e a geração de empregos da montadora no Brasil, o equipamento parou de funcionar. A falha garantiu o seguinte comentário do executivo: “Deve ser de origem asiática essa bateria [do microfone]”, disse o executivo às gargalhadas.

Reações e contexto político

A declaração provocou risos entre alguns dos presentes, incluindo o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin. Lula não reagiu ao comentário. A provocação ocorre em um momento no qual a Stellantis cobra medidas para equilibrar a concorrência com os fabricantes chineses no Brasil. Filosa, inclusive, já defendeu a análise de mecanismos capazes de compensar o que considera uma vantagem estrutural construída pela China ao longo das últimas décadas, especialmente em escala industrial, custos e domínio da cadeia de veículos eletrificados.

Parcerias estratégicas com empresas chinesas

Ao mesmo tempo, porém, a própria estratégia global da Stellantis está cada vez mais ligada a empresas chinesas. O grupo mantém parcerias industriais e tecnológicas com Dongfeng e CATL para desenvolver, produzir e comercializar veículos elétricos e baterias. Com a Dongfeng, a relação começou há mais de três décadas. Em maio, as empresas anunciaram a ampliação da cooperação, com planos para produzir novos modelos Peugeot e Jeep na China, destinados tanto ao mercado local quanto à exportação. A cooperação deverá ter reflexos diretos no Brasil. A Stellantis planeja utilizar plataformas e tecnologias da Dongfeng em futuros modelos de Peugeot e Citroën destinados ao mercado sul-americano. Segundo Herlander Zola, presidente da Stellantis para o continente, os produtos desenvolvidos em conjunto poderão ampliar o portfólio das marcas e torná-las mais competitivas.

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Produção no Brasil e joint ventures

A produção conjunta no Brasil ainda não foi confirmada, mas a empresa afirma que haverá modelos Peugeot e Citroën com plataforma e participação da Dongfeng por aqui. A Stellantis pode fazer esses produtos na unidade de Porto Real (RJ). A companhia pretende fechar parceria com a chinesa por aqui antes que outra pretendente, a Nissan, o faça. A ligação é ainda mais direta no setor de baterias. A Stellantis e a chinesa CATL acertaram um investimento de até R$ 24 bilhões em uma joint venture para construir uma fábrica de baterias de lítio-ferro-fosfato em Zaragoza, na Espanha. A unidade terá capacidade de produção de até 50 GWh por ano.

Leapmotor e o contraste com a provocação

Já no caso da Leapmotor, o grupo tem participação majoritária de 51% na Leapmotor International, joint venture responsável pela fabricação, distribuição e comercialização dos veículos da marca fora da China. No Brasil, essa aproximação resultará na produção dos SUVs eletrificados Leapmotor B10 e C10 no Polo Automotivo de Goiana, em Pernambuco, a partir de novembro. A Stellantis também trabalha no desenvolvimento de uma configuração com tecnologia de extensor de autonomia e motor flex para os modelos da marca chinesa. Por isso, a brincadeira de Filosa chama atenção não apenas pela provocação aos concorrentes asiáticos, mas pelo contraste com os próprios movimentos da Stellantis. Enquanto pede condições mais equilibradas para enfrentar as montadoras chinesas, o grupo reconhece a importância da tecnologia, da escala industrial e da cadeia de fornecedores da China — e recorre justamente a elas para ampliar sua competitividade global.

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