A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) confirmou, em relatório divulgado nesta quarta-feira (22), que o Brasil está oficialmente fora do Mapa da Fome no período de 2023 a 2025. O país conseguiu reduzir a prevalência de subalimentação para menos de 2,5% da população, patamar que o classifica fora do indicador internacional de fome crônica.
Critérios e dados do relatório
De acordo com o relatório “O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo” (SOFI 2026), o Brasil registrou uma prevalência de subalimentação de 2,3% entre 2023 e 2025, abaixo do limite de 2,5% estabelecido pela FAO para caracterizar a fome crônica. O estudo é produzido anualmente pela FAO em parceria com o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Programa Mundial de Alimentos (PMA) e a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Contexto e políticas públicas
O resultado reflete a retomada de políticas de segurança alimentar e nutricional após a crise humanitária vivida pelo país entre 2020 e 2022, quando a fome atingiu cerca de 33 milhões de brasileiros. O governo federal atribui a melhora à ampliação do Bolsa Família, à valorização do salário mínimo, à retomada do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e ao fortalecimento da agricultura familiar.
“O Brasil demonstra que é possível superar a fome com políticas públicas integradas e compromisso político. O relatório da FAO é um reconhecimento do trabalho que vem sendo feito para garantir o direito humano à alimentação adequada”, afirmou o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias.
Impacto e desafios
A saída do Mapa da Fome coloca o Brasil novamente entre os países que alcançaram a meta do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 2, que prevê erradicar a fome até 2030. No entanto, especialistas alertam que a conquista não elimina a insegurança alimentar moderada ou grave, que ainda atinge milhões de brasileiros.
“Estamos no caminho certo, mas não podemos relaxar. A insegurança alimentar ainda é uma realidade para muitas famílias, e é preciso manter e ampliar as políticas de proteção social e de apoio à produção de alimentos saudáveis”, destacou a pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB), Maria Emília Pacheco.
Comparação internacional
No cenário global, o relatório da FAO aponta que cerca de 733 milhões de pessoas ainda sofrem com a fome no mundo, número que se mantém elevado desde 2020. A América Latina e o Caribe, por sua vez, apresentaram melhora, com a redução da subalimentação de 6,5% para 5,2% no mesmo período, impulsionada principalmente pelo desempenho do Brasil e de outros países como Chile e Uruguai.
A FAO também destacou que o Brasil é um dos poucos países que conseguiu reverter o aumento da fome observado durante a pandemia de Covid-19, graças à rápida implementação de programas de transferência de renda e à retomada do crescimento econômico.



