O vice-presidente da República Geraldo Alckmin (PSB) afirmou, em evento em São Paulo na noite desta quarta-feira (22), que, caso a negociação com os Estados Unidos sobre o tarifaço não avance, a Lei de Reciprocidade não deverá ser aplicada. Segundo ele, “não é este o objetivo” do governo brasileiro, e sim “resolver o problema”.
“Nós temos uma Lei de Reciprocidade aprovada por unanimidade, [mas] a ideia não é fazer retaliação, a ideia é buscar solução. A Lei de Reciprocidade é um instrumento importante, que o governo tem que adequar, tem que avaliar, está na mesa. Mas este não é o objetivo. O objetivo não é fazer guerra comercial, é resolver o problema”, declarou Alckmin.
Contexto do tarifaço americano
Na semana passada, o governo dos EUA confirmou a aplicação de uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, após concluir uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês). A aplicação começou nesta quarta (22). O vice também disse que o governo está trabalhando na negociação e, em paralelo, buscando novos mercados.
Alckmin já havia defendido essa posição na terça (21), quando disse que o Brasil buscará sempre negociar com os EUA para resolver a crise entre os dois países. “A ideia não é retaliação. Não é retaliação. ‘Olho por olho’, o que pode acontecer é os dois ficarem cegos, né?”, afirmou.
Lula também reforça negociação
Mais cedo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o Brasil não encontrou reciprocidade nos diálogos com os Estados Unidos para tratar das tarifas. Mas que o país não vai deixar de tentar negociar nem vai ficar “chorando” por produtos que deixará de vender aos EUA. “Ninguém vai ganhar do Brasil mentindo. Nós estamos na mesa de negociação, já mandamos vários documentos e propostas, eu pessoalmente fui aos Estados Unidos, ficamos 3 horas discutindo negociação [...] a gente nunca encontrou reciprocidade na conversa”, disse Lula.
“Isso vai aumentar o nosso antagonismo aos EUA? Não, não vai, porque a gente não vai sair da mesa de negociação. Eles que digam que não vão negociar, porque estamos lá sentados na mesa, fazendo proposta toda vez e fazendo eles provarem que eles tinham alguma razão em taxar o Brasil”, completou o presidente.
Medidas de socorro às empresas
O governo anunciou a liberação de R$ 18,5 bilhões em crédito para empresas afetadas pelas tarifas adicionais de 25% aplicadas a produtos brasileiros vendidos no mercado americano e também àquelas impactadas pela guerra no Oriente Médio. O financiamento será destinado às empresas que:
- são afetadas por tarifas comerciais dos EUA, como setores de aço, alumínio, automotivo, madeira, máquinas, entre outros;
- são de setores industriais estratégicos, por exemplo: fertilizantes, farmacêutico, têxtil, minerais críticos, entre outros;
- setores que tiveram exportações para o Golfo Pérsico afetadas.
O presidente também sancionou uma lei que liberou R$ 15 bilhões, o “Brasil Soberano 2”, em recursos para linhas de crédito do Plano Brasil Soberano, ampliando assim o programa criado no ano passado para responder ao primeiro tarifaço dos Estados Unidos. A lei deriva de uma medida provisória (MP) de março de 2026. Outras medidas continuam em estudo e podem ser colocadas em prática na medida em que as empresas perceberem dificuldades na vazão dos produtos tarifados, como adiantou o blog da Ana Flor. O anúncio ocorre um dia após o governo federal iniciar uma rodada de reuniões com representantes dos setores mais afetados pelo “tarifaço” dos Estados Unidos.



