O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, afirmou nesta terça-feira (28) que as declarações do presidente argentino Javier Milei contra o governo brasileiro são 'lamentáveis'. A declaração ocorreu durante o Brazil-Korea Business Roundtable, em São Paulo, evento que também tratou de acordos comerciais e investimentos com a Coreia do Sul. Segundo Alckmin, a postura de Milei não compromete o avanço da integração econômica do Mercosul, bloco que vive um momento favorável com acordos já concluídos com Singapura, países da EFTA e União Europeia, além do interesse sul-coreano em negociações.
Alckmin critica Milei e defende integração regional
'É lamentável. Um presidente de um país vizinho e amigo presta um desserviço ao seu próprio país ao se envolver de maneira absolutamente grosseira nos assuntos internos do Brasil', declarou Alckmin. A fala ocorreu ao final do evento, que contou com a presença do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e de representantes dos governos brasileiro e sul-coreano, além de empresários dos setores automotivo, tecnologia, saúde, alimentos e indústria pesada.
Brazil-Korea Business Roundtable: parcerias e números
Alckmin destacou que o comércio bilateral entre Brasil e Coreia do Sul movimentou US$ 10,8 bilhões em 2025, com investimentos sul-coreanos no Brasil somando US$ 8,9 bilhões. 'Nós podemos dar a meta de quase dobrar isso', disse. Sete memorandos foram assinados na segunda-feira (27) em Brasília, abrangendo minerais críticos, educação, audiovisual, esportes, energia, tecnologia industrial, atividades espaciais e segurança de redes. O vice-presidente também mencionou a visita sanitária exigida pela Coreia do Sul a produtores de carne brasileiros, prevista para agosto: 'O Brasil tem o maior rebanho comercial do mundo, com alta sustentabilidade e rigor sanitário.'
Potencial em IA e espaço
Alckmin ressaltou as vantagens competitivas do Brasil para receber investimentos em inteligência artificial e centros de dados: matriz elétrica renovável, disponibilidade de água e estabilidade regulatória. Na área aeroespacial, lembrou que a Coreia do Sul foi o primeiro país asiático a adquirir o cargueiro KC-390 da Embraer e que o lançamento de um foguete sul-coreano está previsto para setembro, a partir do Centro Espacial de Alcântara.
Mercado de café e perspectivas
O presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, afirmou que cerca de 40% do café consumido na Coreia do Sul é do tipo especial produzido no Brasil. 'Vemos, cada vez mais, um cenário de fragmentação. O que nós precisamos é estabilidade, confiança e crescimento', disse. A Coreia importa cerca de US$ 600 bilhões por ano, mas o Brasil responde por aproximadamente 1% desse mercado, indicando grande potencial de crescimento, segundo Müller.
Ministro cita IA e descarbonização
O ministro Márcio Elias Rosa destacou parcerias com empresas como Samsung, LG e Posco, além da cooperação entre Embraer e Korea Aerospace Industries. Ele afirmou que inteligência artificial e soberania digital são prioridades do governo brasileiro, alinhadas ao Plano Brasileiro de IA. Também citou oportunidades em descarbonização, biocombustíveis e agronegócio: 'O etanol, o bioetanol e o biogás têm competitividade porque oferecem sustentabilidade e menor emissão de gases de efeito estufa, além de um custo mais baixo.'
Parceria não é retaliação aos EUA
Questionado se a relação com a Coreia foi influenciada por tarifas dos EUA, Alckmin negou: 'Não falaram sobre o Trump. Não esteve na pauta.' Ele reafirmou que o Brasil continuará negociando para reverter tarifas injustas, baseando-se em três pilares: apoio às empresas afetadas, diversificação de mercados e manutenção de negociações diplomáticas. Sobre a possibilidade de reciprocidade comercial, disse: 'Reciprocidade é uma possibilidade. Não é retaliação. O Brasil defende o multilateralismo e regras para o comércio internacional.'



