Rixa entre Cid e Ciro Gomes marca eleições de 2026 no Ceará
Rixa entre Cid e Ciro Gomes marca eleições de 2026

As eleições de 2026 prometem reacender a rivalidade entre os irmãos Cid Gomes (PSB) e Ciro Gomes (PSDB), dois dos nomes mais influentes da política cearense. Enquanto o senador Cid Gomes foi confirmado como pré-candidato ao Senado nesta terça-feira (14), com o deputado federal Junior Mano (PSB) como primeiro suplente e apoio do presidente Lula, Ciro Gomes lançou em maio sua pré-candidatura ao governo do Ceará, apoiado por lideranças de direita, como o deputado federal André Fernandes e o pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro, ambos do PL.

O rompimento de 2022

A rixa entre os irmãos tornou-se pública em 2022, após o fim da aliança de 16 anos entre PT e PDT no Ceará. Essa aliança havia sido costurada por eles, com Ciro atuando como “mentor intelectual” e Cid como executor. Segundo o próprio Cid, ele e Ciro não se falam desde agosto daquele ano. O estopim foi a disputa pela sucessão do governador Camilo Santana (PT), que deixou o cargo em abril de 2022 para concorrer ao Senado.

O PDT, partido de Ciro e Cid na época, indicaria o candidato ao governo. De um lado, Ciro e a irmã Lia Gomes defendiam o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio. Do outro, Cid, Camilo Santana e o irmão Ivo Gomes apoiavam a então governadora Izolda Cela, que havia assumido com a saída de Camilo. Em 18 de julho de 2022, o diretório estadual do PDT votou: Roberto Cláudio venceu com 54 votos contra 29 de Izolda. A decisão, bancada por Ciro, levou ao rompimento entre os irmãos.

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Consequências eleitorais

Com a escolha, o PT lançou Elmano de Freitas como candidato ao governo, rompendo a aliança histórica. Na eleição, Elmano venceu no primeiro turno, enquanto Roberto Cláudio ficou em terceiro lugar. Ciro, que concorria à Presidência, também teve desempenho fraco no Ceará: em 2018, foi o mais votado no estado no primeiro turno, mas em 2022 caiu para terceiro lugar. O cientista político Clayton Monte, que estuda os Ferreira Gomes há mais de dez anos, afirma: “O grupo político do Ferreira Gomes foi durante praticamente 16 anos o grupo político mais forte do Nordeste. Mais forte em capilaridade, presente em todo o Ceará, em número de figuras de liderança, tinha mais de 300 lideranças políticas, do vereador ao governador; e também pela unidade, pela coesão. Onde é que está a força de um grupo político? Na unidade.”

Disputa judicial e familiar

Após o rompimento, o PDT no Ceará viveu um racha interno entre a ala de Cid e a de André Figueiredo, aliado de Ciro. Em junho de 2023, durante um evento regional do PDT em Fortaleza com presença de Ciro, nem Cid nem seus aliados compareceram. Em 2024, Cid deixou o PDT e se filiou ao PSDB. Em outubro de 2025, Ciro também entregou carta de saída do PDT e se filiou ao PSDB. Agora, ambos estão em partidos diferentes e em lados opostos na eleição de 2026.

As eleições municipais de 2024 em Fortaleza escancararam ainda mais as divisões: o ex-prefeito Roberto Cláudio, hoje no União Brasil, declarou apoio a André Fernandes (PL) no segundo turno, enquanto Evandro Leitão (PT), recém-saído do PDT, foi eleito. Roberto Cláudio é apontado como possível vice na chapa de Ciro ao governo. O presidente da Federação PP/União no Ceará é o bolsonarista Capitão Wagner (União), que deve ser candidato ao Senado apoiado por Ciro.

O legado dos Ferreira Gomes

A família Ferreira Gomes construiu um império político a partir de Sobral, no interior do Ceará. O pai de Ciro e Cid foi prefeito da cidade. Ciro foi prefeito de Fortaleza (1989-1990) e governador do Ceará (1991-1994), além de ministro da Fazenda no governo Itamar Franco. Cid foi prefeito de Sobral por dois mandatos e governador do Ceará por dois mandatos (2007-2014). Outros irmãos também seguiram carreira política: Ivo Gomes foi prefeito de Sobral e Lia Gomes é deputada estadual.

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O grupo governou o Ceará com alianças sólidas, especialmente com o PT, até o racha de 2022. “Cid sempre foi a figura de lidar com os prefeitos e Ciro sempre foi a liderança de pensar o grupo em termos de projeto. Ele sempre esteve ligado muito mais à dinâmica nacional que estadual. Como deputados chamavam, ele sempre foi o líder intelectual do grupo”, descreve Clayton Monte. Agora, em 2026, os irmãos estarão em campos opostos, com Cid apoiado por Lula e Ciro por Bolsonaro, escrevendo mais um capítulo dessa história de rivalidade.