Em evento realizado neste sábado em São Paulo, o ativista político e empresário Renan Santos, de 42 anos, oficializou sua candidatura à Presidência da República pelo partido Missão, criado em 2025. Esta será a primeira disputa eleitoral de sua carreira e também a estreia da legenda nas urnas.
Durante o ato de lançamento, Renan afirmou que “Flávio Bolsonaro não tem chance de vencer Lula no 2º turno”. A declaração direta ao senador foi uma das principais mensagens do evento.
Trajetória de Renan Santos e origem do Missão
Nascido na cidade de São Paulo, Renan estudou direito na Universidade de São Paulo (USP), sem concluir o curso. Hoje com 42 anos, ele lidera o Movimento Brasil Livre (MBL), grupo que ajudou a fundar em 2014 ao lado do deputado federal Kim Kataguiri.
O movimento virou um partido político e tem como origem a organização e a participação de protestos que pediam o impeachment da então presidente Dilma Rousseff, em 2015 e 2016. O Missão, por sua vez, foi criado em 2025 e terá em Renan o primeiro candidato presidencial de sua história.
Segurança pública e combate ao crime organizado
Renan diz que a segurança pública e o combate ao crime organizado são os temas centrais de sua candidatura e de seu projeto para o Brasil. Ele se inspira no presidente de El Salvador, Nayib Bukele, e adota um discurso de guerra ao crime organizado. No evento de lançamento, defendeu “matar quem roubar”.
Entre as propostas estão o endurecimento de penas para crimes violentos, a construção de grandes presídios, medidas para acabar com o controle territorial de facções criminosas e a implementação do que chama de “Direito Penal do Inimigo”.
O que prevê o “Direito Penal do Inimigo”
Segundo o plano de governo, chamado “Livro Amarelo”, o mecanismo jurídico passa a considerar integrantes de facções como “inimigos do Estado”. O texto, segundo a proposta, prevê a eliminação da presunção de inocência para quem for identificado como integrante dessas organizações ou portar fuzis.
A medida é uma das mais radicais do programa e foi apresentada pelo candidato como resposta ao avanço das facções no país.
Outras propostas do plano de governo
Além do pacote de segurança, o “Livro Amarelo” traz propostas nas áreas trabalhista, econômica e de gestão pública. Entre os pontos principais estão:
- Condicionar a reeleição de prefeitos ao cumprimento de metas;
- Substituir a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) por um regime de negociação direta entre contratante e contratado;
- Extinguir a Justiça do Trabalho;
- Criar uma reserva nacional em criptomoedas;
- Criar frentes de trabalho para reduzir a dependência do Bolsa Família;
- Aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) com um corte radical de gastos.
Com uma plataforma de linha dura na segurança e de desregulamentação trabalhista, Renan Santos tenta se viabilizar como um nome de direita na disputa presidencial. O partido Missão, ainda novo, terá como desafio transformar a exposição inicial em apoio eleitoral concreto.



