Uma semana após serem atropelados de propósito em Franca (SP), a vendedora de churros Irislene Costa de Macedo, de 55 anos, permanece internada em estado grave na Santa Casa, sem previsão de alta. O marido dela, Márcio Luciano de Souza, de 49 anos, sofreu lesões nas pernas e já está fora de perigo. O caso ocorreu na noite de 21 de julho, no estacionamento central da Avenida Chico Júlio, no bairro Jardim Integração.
Dinâmica do atropelamento
Imagens de câmeras de segurança flagram o momento em que o carro de Wanderson da Costa Silva, de 43 anos, proprietário de um bar na cidade, manobrou em direção ao casal. O veículo estava inicialmente parado em frente aos vendedores. Na primeira investida, o motorista atingiu o carrinho de churros, que ficou completamente destruído. Em seguida, deu a volta e avançou contra as vítimas, que foram arremessadas ao solo.
Depois do atropelamento, uma mulher que estava no veículo desceu e confrontou uma das vítimas. "Não foi você? Não foi? Eu tenho provas", disse a passageira, que ainda não foi identificada. A discussão foi registrada por câmeras e circula nas redes sociais.
Estado de saúde das vítimas
Irislene foi socorrida pelo Samu e encaminhada à Santa Casa com traumatismo craniano, quadro de confusão mental e episódios de vômito. Ela chegou a perder a consciência após ser jogada ao chão. Segundo informações do hospital, a vendedora segue em estado grave e aguarda cirurgia, sem previsão de alta.
Márcio, que teve ferimentos leves e lesões nas pernas, está fora de perigo. O casal, que sobrevivia da venda de churros, perdeu também o carrinho de trabalho, destruído no ataque. Eles costumam usar o estacionamento central da Avenida Chico Júlio como um dos principais pontos de venda.
Motivação: denúncia contra o bar
De acordo com o boletim de ocorrência, Wanderson acreditava que o casal havia denunciado o bar dele à Prefeitura de Franca. O estabelecimento foi interditado pela Vigilância Sanitária em 18 de junho, por tempo indeterminado. A prefeitura informou que a interdição ocorreu por perturbação do sossego, realização de shows, fechamento de rua e utilização irregular de praça pública.
"No ato da fiscalização foram constatadas as faltas de licença de funcionamento e de estrutura. O proprietário terá que tirar a licença de funcionamento e estruturar o estabelecimento conforme a legislação vigente, Código Sanitário, Posturas e acessibilidade", disse a prefeitura em nota.
Márcio nega que tenha feito qualquer denúncia. Um vídeo ao qual a EPTV, afiliada da TV Globo, teve acesso mostra o casal trabalhando com o carrinho de churros próximo ao bar, para aproveitar o movimento de clientes.
A versão do comerciante
Antes de ser preso, Wanderson da Costa Silva usou as redes sociais para se declarar vítima de perseguição. "Já faz 18 anos que a gente está ali e sempre teve essa perseguição", disse. No vídeo direcionado a clientes, ele lamentou a interdição e informou que passaria a atender apenas por entregas.
"Por infelicidade de algumas pessoas que denunciaram a gente lá, a gente não pode ter mais atendimento presencial. Diz que a gente estava incomodando com barulho e agora a gente não pode usar a praça nem a calçada", comentou. Ele afirmou ainda que começou com uma barraquinha e que a perseguição sempre o acompanhou.
Investigação e prisão
Segundo Márcio, antes de atingi-lo, Wanderson desceu do carro, começou a filmar o casal com a esposa e exigiu que eles retirassem o carrinho do estacionamento. Ele ainda alegava que não podia trabalhar por culpa das vítimas.
Wanderson se apresentou à polícia com um advogado e foi preso em flagrante. Na audiência de custódia, realizada em 22 de julho, a prisão em flagrante foi convertida em preventiva. Ele está detido na Penitenciária de Franca e permaneceu em silêncio durante o depoimento.
A Polícia Civil investiga o caso como tentativa de homicídio qualificado por motivo fútil. A defesa de Wanderson foi procurada pelo g1, mas não se manifestou até a última atualização da reportagem. As investigações continuam para esclarecer todos os detalhes, incluindo a participação da mulher que acompanhava o comerciante no momento do crime.



