PT oficializa Lula à reeleição em convenção em São Paulo
PT oficializa Lula à reeleição neste domingo em SP

O Partido dos Trabalhadores (PT) oficializa neste domingo (2) a candidatura do presidente Lula à reeleição, em convenção nacional realizada no Expo Center Norte, na Zona Norte de São Paulo, a partir das 10h. Com 80 anos, o petista busca um quarto mandato presidencial, depois de ter vencido as eleições de 2002, 2006 e 2022. Antes disso, Lula saiu derrotado em 1989, 1994 e 1998, quando perdeu para Fernando Collor e, por duas vezes, para Fernando Henrique Cardoso.

Caso vença o pleito deste ano, Lula acumulará 16 anos à frente da Presidência da República, ficando atrás apenas de Getúlio Vargas, que governou o país por pouco mais de 18 anos, embora tenha sido eleito pelo voto direto apenas uma vez.

Chapa com Alckmin e os partidos aliados

A convenção do PT repetirá a chapa vitoriosa de 2022, com o atual vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) como companheiro de corrida. Alckmin teve a candidatura homologada pelo PSB na quarta-feira (29), em evento que contou com a presença de Lula. Apesar do histórico de rivalidade nas disputas presidenciais quando era filiado ao PSDB, Alckmin consolidou sua posição no governo e mantém relação próxima com o petista.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Além da vice-presidência, Alckmin chefiou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, atuando como ponte entre o governo e o empresariado. Para a disputa de 2026, o PT contará com o apoio de PSB, PCdoB, PV, PDT, PSOL e Rede.

O principal adversário de Lula nas pesquisas, Flávio Bolsonaro (PL), ainda não anunciou coligações. Os partidos têm até 5 de agosto para realizar suas convenções e oficializar candidaturas e alianças. O registro das candidaturas na Justiça Eleitoral deve ocorrer até 15 de agosto, e o início da campanha eleitoral está marcado para o dia seguinte.

Apoios que compõem a base lulista

São quatro os principais blocos partidários que integram a chapa Lula-Alckmin:

  • PDT: foi o primeiro partido a formalizar apoio à candidatura de Lula, em 20 de julho. A legenda justificou a decisão pela defesa da pauta trabalhista e pela necessidade de mobilizar forças contra a extrema-direita.
  • PSB: mantém a composição vencedora das eleições de 2022 e reforça a aliança com o PT para 2026.
  • Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB): reúne os três partidos da base histórica do governo, que atuam juntos nas eleições e no Congresso Nacional.
  • Federação PSOL/Rede: as duas legendas apoiam a reeleição de Lula. A Rede Sustentabilidade tem entre suas principais lideranças a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que será candidata ao Senado por São Paulo, na chapa de Fernando Haddad.

Investigações sobre Lulinha marcam a campanha

Lula inicia a campanha eleitoral sob o avanço de investigações que atingem seu filho mais velho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Na última semana, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de dois inquéritos para apurar suspeitas de tráfico de influência e corrupção.

De acordo com as investigações, Lulinha teria atuado para favorecer lobistas interessados em fazer negócios com instituições públicas, entre eles Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como um dos responsáveis por desvios de aposentadorias e pensões, conforme a Polícia Federal.

O advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho, negou irregularidades e criticou o andamento das apurações. “A Polícia Federal segue empreendendo esforços na perspectiva de tentar interferir no processo eleitoral. É absolutamente lamentável. Não há qualquer fato que justifique a abertura de qualquer tipo inquérito contra o Fábio Luis. Nós vamos comprovar que não qualquer tipo de relação, nem direta, nem indireta com qualquer tipo de irregularidade”, disse.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Na última quinta-feira (30), em entrevista ao podcast Inteligência Ltda., Lula afirmou que o filho responderá "como filho de qualquer pessoa" e "não vai ficar escondido". "Se meu filho for acusado de qualquer coisa, ele será tratado como o filho de qualquer pessoa. Como eu. Não haverá nenhum privilégio. Jamais pedirei para um juiz não fazer a coisa correta. Se ele tiver certo, vai ter ajuda minha. Se fizer coisa errada, ele sabe o que eu passei. Sabe o que é ver na TV te chamarem de ladrão. Sabe que minha mulher morreu por causa da Lava Jato."

Adversários já oficializaram candidaturas

Dos principais candidatos à Presidência, Lula será o último a realizar sua convenção. Flávio Bolsonaro lançou a candidatura em 25 de julho, seguido por Ronaldo Caiado (PSD), no dia 26, e Romeu Zema (Novo), no dia 27. Neste sábado (1º), Renan Santos (Missão) também oficializou sua pré-candidatura. Com isso, o PT encerra o ciclo de convenções, e a disputa eleitoral de 2026 passa a ter o cenário praticamente definido, faltando apenas os registros na Justiça Eleitoral e o início oficial da campanha.