No início da madrugada deste domingo (2), o Raimundos fez sua aguardada volta ao João Rock 2026, em Ribeirão Preto (SP), no palco Brasil. Liderada por Digão, a banda apresentou um repertório de rock brasileiro raiz, que conectou fãs quarentões e cinquentões a uma geração mais nova que também cantou as letras de cor. A escolha de "Pela-Saco" para abrir o show não foi por acaso. A faixa, que está no álbum "XXX" - o mais recente trabalho do grupo com inéditas nessa proposta de retorno às origens - resume a mistura de sarcasmo e hardcore que sempre definiu o som do Raimundos.
Fusão que nasceu no forró e no punk
Na sequência, a apresentação deixou evidente por que a participação do grupo no palco Brasil, criado para reunir artistas das cinco regiões do país nesta edição do festival, foi tão simbólica. O Raimundos construiu sua carreira sobre uma ponte entre o forró e o punk de Brasília (DF). De um lado, as letras de duplo sentido do cantor e compositor Zenilton, referência do forró nordestino; de outro, as guitarras barulhentas e a bateria de protesto do movimento punk da capital federal. Essa fusão - chamada carinhosamente de forró-core - voltou a aparecer no palco quando Digão tocou triângulo, reforçando as raízes nordestinas da banda.
Sete anos de espera e um setlist para todas as fases
Fazia sete anos que o Raimundos não subia ao palco do João Rock. O retorno veio com um setlist que atravessou mais de 30 anos de carreira e reservou espaço para canções consolidadas na fase com Rodolfo Abrantes, Canisso e Fred Castro. Canisso, baixista cuja morte em 2023, aos 57 anos, ainda emociona os fãs, teve sua memória reverenciada pela plateia ao longo do show. Entre as músicas apresentadas estavam:
- "Mato Véio" e "Me Lambe", do álbum "Só no Forevis";
- "O Pão da Minha Prima", "I Saw You Saying (That You Say That You Saw)" e "Esporrei na Manivela", de "Lavô Tá Novo";
- "As Palhas do Coqueiro", do álbum de estreia do Raimundos, cantada com entusiasmo pelos fãs mais antigos;
- "Reggae do Manero", do álbum "MTV ao Vivo".
Antes de puxar "A Mais Pedida", sucesso absoluto da banda, Digão fez um relato pessoal: "A última vez que eu estive aqui [2019] pedi minha amada em casamento. Vou dedicar essa a todos vocês que sabem o que é o bom da vida". A declaração aumentou a conexão com o público, que cantou cada verso.
Formação atual, atitude e encerramento
Hoje o Raimundos tem Digão, um dos fundadores, como vocalista, Marquim na guitarra, Caio Cunha na bateria e Jean Moura no baixo. A atitude rock'n'roll que levou o grupo a se apresentar com o Guns N' Roses na última turnê dos americanos pelo Brasil continua presente no som e na postura da banda. "Mulher de Fases", mais um clássico do "Só No Forevis", foi deixada para o final. Depois dela, "Eu Quero Ver o Oco", do "Lavô Tá Novo", encerrou a apresentação, com o público soltando a voz mais uma vez. Com essa apresentação, o Raimundos reafirmou que a fórmula forró-punk continua viva e capaz de transitar entre gerações dentro de um dos maiores festivais de rock do país.



