Pesquisa Genial/Quaest medirá impacto de Trump, Caso Master e escala 6×1
A pesquisa Genial/Quaest, que será divulgada na quarta-feira (10), promete trazer os primeiros indicativos sobre como o eleitorado reagiu a uma série de eventos que transformaram o cenário da corrida presidencial nas últimas semanas. Entre os fatores analisados estão a aproximação de Flávio Bolsonaro (PL) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a repercussão do Caso Master e a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da escala 6×1 na Câmara dos Deputados.
As entrevistas foram realizadas entre sexta-feira (5) e segunda-feira (8), totalizando 2.004 eleitores que responderam a um questionário com 114 perguntas. O levantamento aborda intenção de voto, rejeição, conhecimento dos candidatos e percepção sobre temas que dominam o debate político desde maio. Embora a pesquisa não tenha sido desenhada exclusivamente para medir esses episódios, o momento da coleta a transforma em um dos principais termômetros para avaliar possíveis mudanças no comportamento do eleitor após a escalada da disputa entre governo e oposição.
Aproximação com Trump
Este é o primeiro levantamento realizado após a viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos e seu encontro com Donald Trump na Casa Branca. Dias depois da reunião, o governo americano classificou o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas e passou a discutir novas medidas comerciais contra o Brasil. A equipe do senador aposta que a agenda de segurança pública fortalece sua candidatura junto ao eleitorado conservador. Já aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tentam associar a aproximação com Washington a riscos para a soberania nacional e a economia brasileira. O resultado da pesquisa poderá indicar qual dessas narrativas encontrou maior ressonância entre os eleitores.
Caso Master no radar
O levantamento também servirá como norte para a equipe de Flávio, que ainda avalia a profundidade da crise de imagem provocada pela proximidade com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Uma das perguntas questiona diretamente o envolvimento do senador com o ex-banqueiro: “Você acredita que Flávio Bolsonaro não sabia que Vorcaro estava envolvido com corrupção?”. Outra pergunta tenta captar o nível de preocupação dos brasileiros com a possibilidade de novas tarifas: “Você acredita que novas tarifas vão prejudicar você e a sua família?”. A inclusão do assunto ocorre após sucessivas pesquisas apontarem queda do desempenho eleitoral de Flávio desde a divulgação dos áudios envolvendo o fundador do Banco Master. Para integrantes da campanha do PL, a nova rodada ajudará a medir se o episódio continua produzindo efeitos ou se o impacto já começou a perder força.
A última edição, divulgada em 13 de maio, mostrou estabilidade na liderança do presidente Lula, com 39%, e uma retração de Flávio, com 33%, no primeiro turno. A pesquisa, no entanto, mostrava um cenário apertado no segundo turno: Lula aparecia numericamente à frente de Flávio, com 42% contra 41%.
Escala 6×1 também pode aparecer nos números
A coleta também ocorre poucos dias após a aprovação, pela Câmara dos Deputados, da proposta que reduz a jornada semanal de trabalho e extingue a escala 6×1. Mesmo sem perguntas diretas sobre o tema, estrategistas políticos avaliam que a pesquisa pode captar indiretamente eventuais ganhos para o governo caso a medida tenha sido incorporada pelos eleitores como uma conquista associada ao campo governista. Nas últimas semanas, a disputa pela autoria política da proposta se tornou um dos principais embates entre governo e oposição nas redes sociais e para as campanhas presidenciais, que tentam capturar o tema para ganhos eleitorais.
Tarifas e economia entram na pesquisa
O levantamento ainda busca medir a percepção dos brasileiros sobre os possíveis impactos econômicos das tensões comerciais com os Estados Unidos. Uma das perguntas questiona diretamente se os entrevistados acreditam que novas tarifas americanas poderão prejudicar suas famílias. Na semana passada, os Estados Unidos sugeriram a imposição de novas barreiras comerciais aos produtos brasileiros, que passaram a integrar o debate político interno.



