A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro abriu uma nova frente de crises no bolsonarismo ao criticar a aliança do PL do Ceará com o ex-governador Ciro Gomes (PDT). Em declaração feita neste sábado (20), Michelle afirmou que 'a direita do Ceará está vendida', após Ciro sinalizar que avalia apoiar o senador Renan Santos (MDB) ou o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União), para a Presidência em 2026.
Racha no PL do Ceará
A crítica de Michelle expõe um racha interno no diretório cearense do PL, que fechou acordo com Ciro Gomes para as eleições estaduais. A aliança, costurada pelo presidente estadual do partido, deputado federal André Fernandes, prevê o apoio de Ciro ao candidato do PL ao governo do Ceará. No entanto, a movimentação desagradou setores do bolsonarismo, que veem Ciro como um adversário histórico.
Segundo fontes do partido, a declaração de Michelle reflete uma insatisfação crescente com a estratégia de alianças no Nordeste. 'Ela está defendendo a pureza ideológica, mas a realidade política exige acordos', afirmou um dirigente do PL, sob condição de anonimato.
Tensões entre Michelle e Flávio Bolsonaro
A crise se intensifica com as recentes divergências entre Michelle e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Enquanto Michelle defende uma linha mais radical, Flávio tem buscado ampliar o arco de alianças para isolar o PT. 'A direita não pode se dar ao luxo de rejeitar apoios que podem nos levar ao segundo turno', disse Flávio em entrevista à rádio Jovem Pan na sexta-feira (19).
Especialistas apontam que o racha pode prejudicar a candidatura bolsonarista em 2026. 'O bolsonarismo já enfrenta dificuldades para unificar o campo conservador. Essas brigas internas só fortalecem o PT', analisa o cientista político Carlos Melo, do Insper.
Estratégia contra o PT
O PL do Ceará defende a aliança com Ciro como forma de derrotar o PT no estado. 'Ciro tem capilaridade no interior e pode nos ajudar a vencer no primeiro turno', argumentou André Fernandes em nota. Já Michelle Bolsonaro rebateu: 'Não se faz aliança com quem sempre esteve contra nós. A direita precisa de coerência'.
A situação reflete as tensões políticas sobre apoios e alianças, enquanto figuras do PL buscam estratégias para enfrentar o PT em 2026. O ex-presidente Jair Bolsonaro, que se recupera de uma cirurgia, não se manifestou publicamente sobre o caso.



