A pesquisa Quaest de junho, divulgada nesta quarta-feira (10), revelou movimentações significativas entre os eleitores independentes, aqueles que não se identificam como lulistas, bolsonaristas, de esquerda ou de direita. De acordo com o diretor da Quaest, Felipe Nunes, esse grupo, que corresponde a um terço do eleitorado, trocou Flávio por Lula entre maio e junho, abrindo uma vantagem de 13 pontos percentuais para o presidente na simulação de segundo turno.
Quem são os eleitores independentes
Os independentes representam 32% do eleitorado brasileiro, segundo a Quaest. Eles não se alinham a nenhum dos dois principais campos políticos, que estão empatados: 33% se definem como lulistas (19%) ou de esquerda não lulista (14%), e outros 33% como bolsonaristas (12%) ou de direita não bolsonarista (21%). Assim, os independentes têm potencial para decidir a eleição, funcionando como um grupo de desempate entre os polos.
Felipe Nunes descreve esses eleitores como pragmáticos e menos ideológicos. Para eles, democracia, segurança pública, combate à corrupção e desburocratização são temas prioritários.
Intenção de voto no primeiro turno
Entre os independentes, 28% declaram voto em Lula no primeiro turno, enquanto 14% preferem Flávio Bolsonaro. Em seguida, aparecem Ronaldo Caiado (PSD) com 6%; Aécio Neves (PSDB) e Romeu Zema (Novo) com 4% cada; Renan Santos (Missão), Augusto Cury (Avante) e Samara Martins (UP) com 2%; e Joaquim Barbosa (DC) com 1%. Além disso, 19% estão indecisos, e 18% afirmam que votarão em branco, nulo ou não comparecerão às urnas.
Mudança no segundo turno
No segundo turno, a pesquisa apontou uma virada importante entre os independentes. A intenção de voto em Lula subiu de 29% para 37% entre maio e junho, um avanço de oito pontos. Já Flávio Bolsonaro caiu de 31% para 24%, uma redução de sete pontos. O percentual de independentes que não pretendem votar diminuiu de 35% para 30%, enquanto os indecisos passaram de 5% para 9%.
Segundo Nunes, a maioria dos independentes está desanimada e apática, e apenas 10% dos 32% tendem a votar efetivamente.
Cenário geral da pesquisa
Considerando todos os grupos políticos, a pesquisa Quaest mostra Lula com 44% das intenções de voto no segundo turno contra 38% de Flávio Bolsonaro, rompendo o empate técnico observado desde março. Em maio, Lula tinha 42% e Flávio 41%; em abril, Flávio liderava com 42% contra 40%; e em março, estavam empatados com 41% cada.
A pesquisa foi encomendada pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 5 e 8 de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O registro no TSE é BR-07661/2026.
Apesar da vantagem atual de Lula, o cenário é mais acirrado do que no início da série histórica da Quaest, em agosto de 2025, quando Lula tinha 16 pontos de vantagem. Em dezembro, a vantagem caiu para dez pontos, coincidindo com o anúncio da candidatura de Flávio Bolsonaro.



