O presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu ao palco da convenção do Partido dos Trabalhadores (PT) na Bahia neste sábado, 1º de agosto, acompanhado do senador Jaques Wagner, uma das principais lideranças da sigla no estado. O evento, realizado com forte presença de militantes, dirigentes e candidatos, teve como objetivo consolidar alianças e validar as chapas para as eleições de outubro.
A Bahia é um dos maiores colégios eleitorais do Brasil, com cerca de 11 milhões de eleitores aptos a votar em 2026. Por isso, a convenção de hoje é considerada estratégica pelo comando nacional do PT, que vê no estado uma âncora para a reeleição do presidente Lula. O partido governa a Bahia de forma consecutiva desde 2007, quando Jaques Wagner venceu a eleição para o governo estadual.
Reduto histórico do PT
Desde então, o PT manteve a hegemonia no estado, com Wagner governando por dois mandatos e sendo sucedido por Rui Costa, também petista, que permaneceu por oito anos. Em 2022, Jerônimo Rodrigues, igualmente do partido, foi eleito, ampliando a sequência de vitórias. Esse histórico de dominio explica a atenção que o partido dedica ao estado em cada ciclo eleitoral.
A força petista na Bahia também se reflete nas eleições presidenciais. Em 2022, Lula teve no estado um de seus maiores percentuais de votos no segundo turno, o que contribuiu decisivamente para sua vitória contra o então candidato à reeleição. Para 2026, a expectativa é que Bahia mantenha o mesmo papel de sustentaçao eleitoral.
Aliança Lula-Wagner em evidência
A presença de Jaques Wagner ao lado de Lula no palco da convenção é um gesto de unidade da legenda. Wagner é considerado um dos quadros mais experientes do PT, com passagens pelo governo da Bahia, pelo Ministério das Relações Institucionais e pela liderança do governo no Senado. Atualmente, ele exerce mandato de senador e é apontado como um dos principais articuladores do partido no Nordeste.
A relação construída entre Lula e Wagner remonta aos anos de fundação do PT. Os dois compartilham a origem sindical e participaram dos movimentos que deram origem à legenda. Essa proximidade histórica é vista como um dos fatores que garantem a coesão do partido na Bahia, um dos maiores estados do país em importância eleitoral.
Estratégia para outubro
A convenção na Bahia acontece a dois meses do primeiro turno, marcado para o início de outubro. Nesse período, os partidos realizam as convenções para oficializar as candidaturas a governador, senador e outros cargos. O PT baiano deve apresentar nos próximos dias a lista de nomes que disputarão o governo do estado, bem como os candidatos a vagas no Legislativo federal e estadual.
O evento também serve para alinhar o discurso da campanha. Em sua fala, Lula deve destacar as ações do governo federal, como programas sociais e obras de infraestrutura, além de criticar a gestão anterior. Jaques Wagner, por sua vez, tende a enfatizar a necessidade de continuidade no estado, usando o histórico petista como argumento.
Embora os números de intenção de voto variem, pesquisas recentes apontam Lula na liderança para as eleições presidenciais. Na Bahia, o partido trabalha para manter a dianteira no cenário estadual, onde a oposição tenta se reorganizar em torno de nomes de centro-direita. A convenção deste sábado é o pontapé inicial de uma campanha que promete ser intensa.
Mobilização e próximos passos
Imagens da convenção mostram um palco lotado de bandeiras vermelhas e uma plateia de militantes, muitos vindos do interior do estado. Dirigentes municipais do PT de várias regiões marcaram presença, reforçando a capilaridade do partido. Não foram divulgadas estimativas oficiais de público, mas a organização considerou o evento um sucesso em termos de adesão.
Nos próximos dias, o PT deve dar continuidade ao calendário de convenções em outros estados. A Bahia, no entanto, permanece no centro das atenções da cúpula nacional, por ser um ativo importante para a estratégia de reeleição de Lula. A aliança com Jaques Wagner é a peça-chave desse plano, e o gesto deste sábado demonstra que a dupla está alinhada para enfrentar o desafio eleitoral.
Com o início do período de propaganda eleitoral, a partir de meados de agosto, o foco se desloca para o guia eleitoral e os comícios. A convenção, portanto, teve um papel simbólico e organizacional. Resta agora aguardar os próximos desdobramentos da campanha na Bahia, que se anuncia como um dos principais campos de batalha das eleições de 2026.



