Uma nova pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (10) mostra o presidente Lula (PT) liderando em um eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). Este é o primeiro levantamento realizado após a divulgação dos áudios do senador com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O debate sobre as pesquisas
Na última segunda-feira (8), a suspensão da divulgação de uma pesquisa eleitoral por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reacendeu o debate sobre como os levantamentos são conduzidos e como os institutos chegam aos resultados divulgados. As conversas entre o senador e o ex-banqueiro, que está preso, levaram o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, a determinar a retirada do conteúdo e a suspensão da divulgação da pesquisa do Instituto AtlasIntel.
Como as pesquisas são feitas
As pesquisas eleitorais têm a função de captar o clima da corrida eleitoral, registrando a temperatura da disputa naquele momento. Isso é feito ouvindo o eleitor. Segundo o diretor da Quaest, Felipe Nunes, em entrevista ao Jornal Nacional, "pesquisas tentam identificar padrões para tentar antecipar movimentos que estão acontecendo na opinião pública". Para isso, utiliza-se método científico.
Definição da amostra
Primeiro, são definidos quem serão os entrevistados, que devem representar o universo dos eleitores. Como é impossível entrevistar todos os eleitores do país, os institutos estabelecem critérios para selecionar um grupo de pessoas que represente a população: a amostra. A Quaest divulgada nesta quarta-feira, por exemplo, encomendada pela Genial Investimentos, ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 5 e 8 de junho. O registro no TSE é BR-07661/2026.
Os cálculos estatísticos ajudam a explicar por que a maioria das pessoas nunca foi entrevistada em uma pesquisa eleitoral. A chance de uma pessoa ser selecionada para participar de uma pesquisa que fará 1,2 mil entrevistas na cidade de São Paulo, onde há mais de 9 milhões de eleitores, é de uma em 7.768. A probabilidade é muito baixa: 0,013%.
Representatividade da amostra
Mas como um grupo de cerca de mil pessoas pode expressar a intenção de voto de uma cidade inteira? Essa amostragem é definida a partir de dados disponíveis em outros órgãos, como o IBGE e o TSE. A amostra precisa reproduzir as características da população que será representada, como sexo, idade, escolaridade e renda.
A metodologia varia conforme o instituto. No caso da Quaest, os pesquisadores vão até a casa do eleitor. Já o Datafolha entrevista as pessoas na rua, nos chamados pontos de fluxo, que são locais específicos em cada município pesquisado.
Abstenção e ajustes
Outra preocupação recente das pesquisas é com o alto índice de abstenção, que superou 31 milhões, chegando a 20% dos eleitores no primeiro turno da última eleição presidencial de 2022. Muitas vezes, a pessoa diz na pesquisa que vai votar em determinado candidato, mas depois nem aparece nas urnas. Por isso, os institutos incluíram perguntas no questionário para ter mais pistas se o entrevistado realmente votará no dia da eleição.
"A gente passou, desde 2022, a incorporar um modelo estatístico que ajusta a pesquisa exatamente à probabilidade de os eleitores irem ou não votar no dia da eleição. Esses modelos foram trazidos de estudos feitos nos Estados Unidos, onde o voto não é obrigatório", conta Felipe Nunes.
Não é possível se oferecer para ser entrevistado. A escolha de quem vai responder deve ser aleatória, para garantir a representatividade da amostra.
Pesquisa não é previsão
Apesar de muitas pessoas acreditarem, pesquisas eleitorais não fazem previsão de quem vai ganhar as eleições. Elas fornecem ao eleitor informações sobre cada momento da disputa até a hora de ir às urnas. É uma ferramenta valiosa para entender o cenário eleitoral, que pode variar a cada pesquisa. Essa é a diferença para uma enquete, em que se fazem perguntas sem metodologia ou rigor na seleção dos participantes.
Margem de erro e nível de confiança
Como toda pesquisa por amostragem, existe uma margem de erro, calculada com uma fórmula matemática. Quanto maior a amostra, menor a margem de erro. Em uma amostra com 500 entrevistas, a margem de erro será muito maior do que uma com 1,2 mil, por exemplo.
"A margem de erro é a segurança que o eleitor tem de que aquela informação foi calculada de maneira técnica e científica", diz Felipe Nunes. Na Quaest desta quarta-feira, a margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Os cálculos estatísticos também definem o nível de confiança da pesquisa, que é de 95%. Isso significa que, se a pesquisa for repetida 100 vezes, em 95 delas o resultado estará dentro da margem de erro.



