O senador Cleitinho (Republicanos-MG) afirmou que seguirá como candidato ao governo de Minas Gerais, contrariando a decisão oficial de seu partido. Na manhã desta quarta-feira (29), o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, declarou à GloboNews que o senador não disputará o Palácio Tiradentes. Pouco depois, a assessoria de Cleitinho divulgou nota reafirmando a disposição de concorrer.
Liderança nas pesquisas e idas e vindas
Cleitinho aparece na liderança das intenções de voto, segundo pesquisa Quaest divulgada na terça-feira (28). O desempenho contrasta com a indefinição que marcou sua pré-candidatura desde o anúncio pelo partido, em 2 de março. O senador condicionou a candidatura a estar à frente nas pesquisas e à ausência do deputado Nikolas Ferreira (PL) na disputa. “Se for da vontade de Deus e da vontade do povo – liderando pesquisa –, claro que eu quero ser um pré-candidato a governador”, disse em discurso no Senado em 10 de junho.
Impasse partidário e regras eleitorais
O Republicanos argumenta que a falta de definição clara de Cleitinho e sua ausência na convenção estadual do partido, em 25 de julho, inviabilizaram a candidatura. Em nota, as executivas nacional e estadual afirmaram que isso produziu “consequências inevitáveis”. Contudo, pela legislação eleitoral, Cleitinho não pode trocar de partido: o prazo de filiação para concorrer em 2026 terminou em 4 de abril, e senadores, embora não sujeitos à janela partidária, precisam estar filiados à legenda pela qual disputam. Assim, se quiser ser candidato, precisará do registro pelo Republicanos.
Estratégia e impacto nas proporcionais
A candidatura de Cleitinho é vista como estratégica para o Republicanos fortalecer suas chapas proporcionais. Nas eleições de 2022, ele obteve mais de 4 milhões de votos para o Senado, o que poderia impulsionar a legenda. “O que mais me chama a atenção é que os mesmos que quebraram o estado querem continuar tomando conta dele”, criticou Cleitinho, referindo-se a adversários que duvidavam de sua disposição para governar um estado com dificuldades fiscais. Minas Gerais possui uma das maiores dívidas estaduais com a União, tema central no debate político.
Próximos passos
Após a morte do irmão mais novo, vítima de leucemia, em 18 de julho, Cleitinho informou a interlocutores que estava de luto e sem condições de fazer campanha. Agora, a definição sobre sua candidatura cabe ao partido, que pode registrar ou não seu nome na Justiça Eleitoral. O impasse expõe as dificuldades de articulação política em Minas Gerais, onde a direita busca unificar um palanque para as eleições de 2026.



