Osmar Ricardo deixa presidência do PT no Recife para apoiar Raquel Lyra
Petista deixa comando do partido no Recife para apoiar governadora

Decisão de apoiar a governadora

O vereador Osmar Ricardo (PT), presidente do Diretório Municipal do PT no Recife, pediu licença do cargo para apoiar e fazer campanha para a governadora Raquel Lyra (PSD). A decisão, anunciada nas redes sociais no sábado (25), contraria o posicionamento oficial do partido em Pernambuco, que declarou apoio formal ao ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) durante convenção realizada em 20 de julho, quando também foi lançada a candidatura de Humberto Costa (PT) à reeleição ao Senado.

Acusação de perseguição política

Em entrevista ao g1, Osmar Ricardo afirmou que sua atitude é uma resposta à "perseguição" sofrida por parte de João Campos. "Fui perseguido pelo prefeito João Campos e, nessa perseguição, a gente tem que ter lado, e meu lado é o do povo do Recife. Por isso a gente está fazendo várias denúncias sobre o governo dele", declarou. O petista também revelou que outros membros do partido compartilham de sua discordância em relação à aliança com o PSB, mas não assumiram publicamente essa posição.

Ele acrescentou que, na reunião da direção do diretório que definiu a aliança com a Frente Popular (coligação liderada pelo PSB), seus votos foram contrários à decisão de apoiar a candidatura de João Campos ao governo. "Por isso estou me licenciando para ficar bem à vontade para cuidar da campanha, ajudar a campanha da governadora Raquel Lyra", completou.

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Trajetória de suplência e CPI

Osmar Ricardo é primeiro suplente de vereador na federação PT-PV-PCdoB. Ele assumiu uma cadeira na Câmara Municipal em 2025, depois que o vereador eleito Marco Aurélio Filho (PV) se licenciou do cargo para se tornar secretário municipal na gestão João Campos. Em março, assinou um pedido de abertura de CPI para investigar suspeitas de irregularidades na alteração do resultado de um concurso público para procurador do município, que teria beneficiado o filho de um juiz. A CPI foi arquivada, assim como um pedido de impeachment contra o então prefeito.

Após o voto favorável à CPI, João Campos exonerou Marco Aurélio Filho do cargo de secretário, fazendo com que Osmar Ricardo perdesse o mandato e voltasse à suplência. O petista classificou a medida como uma "manobra" para deixá-lo sem mandato. Em abril, a governadora Raquel Lyra nomeou a vereadora Flávia de Nadegi (PV) como presidente do Instituto de Atenção à Saúde e Bem-estar dos Servidores do Estado de Pernambuco (Iassepe), o que devolveu Osmar Ricardo ao cargo de vereador.

Campanha e coordenação

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Osmar Ricardo criticou o ex-prefeito e afirmou que fará campanha para a governadora e para Humberto Costa, além de apoiar o presidente Lula. "Eu vou para a campanha mesmo. Nessa campanha que eu vou fazer com Raquel [Lyra], vou fazer a de Humberto [Costa] e vou fazer a de Lula", disse no Instagram. Ele sinalizou ainda que deverá integrar a coordenação da campanha de Raquel Lyra, dado seu conhecimento da cidade após seis mandatos como vereador no Recife. "Tenho seis mandatos de vereador no Recife e tenho largo conhecimento da cidade, conheço muita gente. Com certeza, devemos estar em uma das áreas coordenando essa campanha", afirmou.

Licença de 73 dias e reação do PT

A licença do presidente do diretório municipal petista tem duração de 73 dias, abrangendo o período até o fim do primeiro turno da eleição, em 4 de outubro. Durante esse intervalo, o comando do partido na cidade será exercido por Romero Carvalho, que assumiu como presidente interino. Romero Carvalho disse ao g1 que o pedido de licença de Osmar Ricardo foi motivado por "foro íntimo" e que o diretório municipal manterá o objetivo de "apoiar integralmente a chapa da Frente Popular".

O Diretório Estadual do PT em Pernambuco, por meio de sua assessoria, informou que o presidente estadual, deputado federal Carlos Veras, defende que "todo filiado deve seguir as orientações e deliberações partidárias independente do cargo que ocupa". A assessoria ressaltou que, até o momento, não há nenhum processo administrativo interno aberto contra Osmar Ricardo.

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