O Partido Socialista Brasileiro (PSB) confirmou nesta quarta-feira (29), durante convenção nacional em Brasília, a candidatura de Geraldo Alckmin à reeleição como vice-presidente na chapa encabeçada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão, já anunciada por Lula em março, foi um ato protocolar, mas encerrou especulações sobre uma possível substituição do vice.
Trajetória política de Alckmin
Com 73 anos e 54 anos de vida pública, Alckmin construiu uma carreira que inclui mandatos como vereador, prefeito, deputado estadual e federal, vice-governador, governador de São Paulo e ministro. Formado em medicina pela Universidade de Taubaté, com especialização em anestesiologia, o vice-presidente começou a carreira política no MDB, em Pindamonhangaba, onde foi vereador e prefeito aos 24 anos. Após ajudar a fundar o PSDB em 1988, Alckmin permaneceu na legenda por 33 anos, até se filiar ao PSB em 2022. Sua aliança com Lula, arquirrival histórico, foi articulada por Fernando Haddad e Márcio França, superando resistências no PT. A aproximação rendeu a Alckmin o apelido de "companheiro" por Lula.
Papel no governo Lula
Além da vice-presidência, Alckmin foi titular do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) até abril de 2025. Em sua gestão, coordenou a resposta ao tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que impôs uma sobretaxa de 25% sobre parte das exportações brasileiras e, em alguns setores, taxa adicional de 12,5%. Segundo a reportagem, "o vice-presidente foi o responsável por fazer a ponte entre o governo e os setores impactados". Lula elogiou a atuação de Alckmin e revelou como o escolheu: "O último cidadão que conversei, falou tanta teoria bonita. Eu perguntei se já tinha colocado alguma em prática, e ele disse que não. Ali bati o martelo que Alckmin seria o ministro". Alckmin também lançou programas como a Nova Indústria Brasil (NIB), o Programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover) e uma iniciativa temporária de descontos para veículos populares em 2023. Durante as enchentes no Rio Grande do Sul, representou Lula e articulou a liberação de verbas emergenciais.
Declarações e episódios recentes
Em 2025, Alckmin classificou como "lamentável" a posse de Nicolás Maduro na Venezuela. Em abril de 2026, afirmou que "quem defende ditadura não devia nem ser candidato", em referência a Flávio Bolsonaro. O vice-presidente também devolveu presentes da Arábia Saudita por recomendação da Receita Federal. Em momentos simbólicos, Alckmin atuou como médico durante um evento em Manaus e vacinou Lula contra a gripe em 2023. No debate sobre a "taxa das blusinhas", imposto sobre compras internacionais de baixo valor, Alckmin defendeu a cobrança para preservar empregos, mas Lula revogou a medida diante do ano eleitoral.
Controvérsias e denúncias
Durante suas gestões em São Paulo, Alckmin enfrentou denúncias do Ministério Público por caixa dois, corrupção passiva e lavagem de dinheiro, com base em delações. Sua defesa sempre negou irregularidades, sustentando que as doações de campanha foram legais. O político disputou a Presidência em 2006 (perdendo para Lula) e em 2018 (quarto lugar).
Vida pessoal
Alckmin é casado há quase 50 anos com a professora Maria Lúcia Ribeiro Alckmin, conhecida como Lu Alckmin, com quem teve três filhos: Sophia, Geraldo e Thomaz. Em 2015, Thomaz morreu em um acidente de helicóptero. O casal tem sete netos. Com a confirmação na chapa, Lula repete a estratégia de 2002 e 2006, quando José Alencar foi vice.



