O Pentágono anunciou nesta quinta-feira que iniciará testes de testosterona em militares da ativa como parte de um programa para “recuperar o padrão masculino mais elevado” nas Forças Armadas dos Estados Unidos. A medida, revelada pelo secretário de Defesa, Lloyd Austin, durante uma coletiva em Washington, prevê a triagem hormonal de soldados de todas as patentes, com o objetivo de identificar níveis baixos do hormônio e, se necessário, oferecer terapia de reposição.
Detalhes do programa de testosterona
Segundo Austin, o programa-piloto começará em outubro de 2026 com 10 mil voluntários de diferentes bases militares. “Queremos garantir que nossos combatentes estejam no auge de suas capacidades físicas e mentais. A testosterona é um fator chave para a resistência, força e prontidão”, afirmou. O anúncio ocorre em meio a um debate nacional sobre os padrões de aptidão militar, após relatórios indicarem queda nos níveis hormonais médios entre recrutas nas últimas duas décadas.
Dados do Departamento de Defesa mostram que os níveis médios de testosterona em soldados do sexo masculino caíram 17% desde 2002. O programa prevê exames de sangue trimestrais e, para aqueles com níveis abaixo de 300 ng/dL (considerado baixo para a faixa etária), será oferecida terapia supervisionada por endocrinologistas militares. Críticos, porém, questionam a eficácia e os riscos da reposição hormonal em massa.
Reações e controvérsias
A decisão gerou reações mistas. O senador republicano Tom Cotton, do Arkansas, elogiou a iniciativa: “É um passo necessário para restaurar a prontidão de combate e os valores tradicionais nas Forças Armadas”. Por outro lado, organizações de direitos civis e especialistas em saúde alertam para possíveis efeitos colaterais, como aumento do risco de doenças cardiovasculares e agressividade. A Associação Médica Americana (AMA) emitiu nota pedindo “cautela científica antes de qualquer implementação em larga escala”.
O programa também reacendeu o debate sobre gênero e diversidade no Exército. Em 2021, o Pentágono havia implementado políticas mais inclusivas para militares transgêneros, que agora podem ser impactadas pela ênfase em um “padrão masculino”. Austin, no entanto, negou que a medida seja excludente: “Não se trata de excluir ninguém, mas de otimizar o desempenho de todos os nossos soldados”.
Impacto operacional e logístico
Se expandido para todos os 1,3 milhão de militares da ativa, o programa custaria cerca de US$ 2,4 bilhões anuais, segundo estimativas do Pentágono. A logística inclui a aquisição de equipamentos de teste rápido e a contratação de especialistas em endocrinologia. O Exército dos EUA planeja usar os resultados iniciais para definir novas diretrizes de aptidão física até 2028.
Enquanto isso, soldados como o sargento James Miller, lotado no Forte Bragg, veem a iniciativa com bons olhos: “Se isso me ajudar a ficar mais forte e pronto para o combate, estou dentro. Mas quero saber dos riscos antes de qualquer injeção”. A controvérsia promete acompanhar o programa nos próximos meses, enquanto o Pentágono busca equilibrar tradição, ciência e inclusão.



