O tarifaço anunciado pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, com alíquota de 25%, pode ter um impacto menor do que o inicialmente previsto. Isso porque a lista de itens isentos da nova tarifa foi ampliada, conforme justificativa oficial divulgada nesta quinta-feira (17). O governo brasileiro, por sua vez, já anunciou que vai acionar a Lei de Reciprocidade, medida que permite retaliação comercial contra países que impõem barreiras desiguais.
Produtos isentos e justificativa
A ampliação da lista de isenções inclui matérias-primas e insumos industriais que não são produzidos internamente nos EUA, segundo fontes do governo americano. A justificativa é evitar o aumento de custos para a indústria local. Entre os produtos que continuam livres da tarifa estão componentes eletrônicos, alguns produtos químicos e equipamentos médicos.
“A decisão reflete a necessidade de equilibrar a proteção da indústria doméstica com a manutenção da competitividade”, afirmou um porta-voz do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR).
Reação do Brasil: Lei de Reciprocidade
O governo brasileiro, liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, decidiu acionar a Lei de Reciprocidade Econômica, aprovada em 2024. A lei permite que o Brasil aplique tarifas equivalentes a produtos americanos caso considere a medida unilateral e desproporcional. O Ministério das Relações Exteriores já iniciou consultas com setores produtivos para definir a lista de possíveis alvos.
“É triste constatar que o desfecho faz parte do enredo da família Bolsonaro”, disse Lula em referência às críticas do ex-presidente Jair Bolsonaro e de seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, que comparou o Brasil a “avião sem piloto”.
Impacto nos mercados
O Ibovespa Futuro operava em leve alta de 0,3% nesta quinta-feira, refletindo a expectativa de que o tarifaço pode ser menos severo. As ações da Light, Totvs, Brava, Axia, B3 e Oncoclínicas estão entre as mais monitoradas. A Light anunciou a homologação de aumento de capital e pediu o fim da recuperação judicial. Já a Oncoclínicas informou ter recebido uma oferta da IG4, mas que não há transação acordada.
No setor de varejo, as vendas no Brasil avançaram apenas 0,1% em maio, frustrando as projeções do mercado, que esperavam alta de 0,4%. O dado reforça a desaceleração econômica.
Críticas da Fiesp
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) criticou a postura do governo federal. “O tarifaço se soma ao custo Brasil e poderia ter sido evitado com uma negociação mais eficaz”, afirmou a entidade em nota. Para a Fiesp, a medida americana agrava a perda de competitividade da indústria nacional.
Contexto internacional
As tarifas americanas sobre o Brasil fazem parte de uma escalada comercial global. O presidente dos EUA, Donald Trump, busca renegociar acordos e proteger setores estratégicos. Enquanto isso, a União Europeia também avalia retaliações. O Irã, por sua vez, mantém o Estreito de Ormuz fechado enquanto os EUA não aceitarem seu “sistema jurídico”, o que eleva a tensão no Oriente Médio.



