O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, renovou suas ameaças contra o Irã nesta quarta-feira (22) e disse que fará um ataque contra a infraestrutura iraniana sempre que alguma embarcação for alvo de ofensiva no Estreito de Ormuz. Em post na rede Truth Social, Trump falou em destruir pontes e usinas elétricas do inimigo.
Ameaça de bombardeio a instalações nucleares
"A partir deste momento, sempre que a República Islâmica do Irã disparar contra um navio no Estreito de Ormuz, seja por míssil, foguete, drone ou qualquer outro dispositivo ou arma, os Estados Unidos bombardearão e destruirão UMA PONTE OU USINA ELÉTRICA, incluindo aquelas localizadas próximas ou dentro da capital, Teerã", escreveu Trump.
Além disso, Trump afirmou nesta terça-feira (21) que os EUA vão atacar a montanha de Pickaxe, na região central do Irã, "muito em breve". A montanha fica próxima à instalação de enriquecimento de urânio de Natanz, que está fortemente danificada. "Digam aos iranianos para estarem preparados [...] provavelmente vamos atacar Pickaxe em um futuro relativamente próximo", disse Trump em entrevista ao radialista Hugh Hewitt.
O que é a montanha de Pickaxe?
A montanha de Pickaxe abriga o coração do programa nuclear iraniano. Ao lado dela fica a usina de enriquecimento de urânio de Natanz, uma das principais instalações nucleares do país. Localizada a cerca de 300 quilômetros ao sul de Teerã, a montanha esconde instalações subterrâneas construídas para resistir a bombardeios. A área já foi atacada recentemente por Israel e pelos Estados Unidos, mas a extensão dos danos ainda não está clara.
Segundo especialistas ouvidos pela Reuters, há dois grandes complexos de túneis escavados sob a montanha. Não se sabe ao certo o que há nessas estruturas, mas há suspeitas de que abriguem equipamentos essenciais para enriquecer urânio. O urânio altamente enriquecido pode ser usado na produção de armas nucleares, embora o Irã insista que seu programa nuclear tem fins exclusivamente pacíficos.
Bomba antibunker dos EUA
Para atingir instalações escondidas na montanha, seriam necessárias bombas perfuradoras, também conhecidas como antibunker. A principal arma dos EUA para esse fim é a GBU-57 A/B, conhecida como MOP (Massive Ordnance Penetrator). Com cerca de 14 toneladas e seis metros de comprimento, a bomba foi projetada para atravessar solo, concreto e rochas antes de explodir, destruindo bunkers enterrados a dezenas de metros de profundidade.
Segundo a Força Aérea dos EUA, apenas o bombardeiro furtivo B-2 Spirit pode transportar e lançar esse armamento. Estimativas indicam que a GBU-57 consegue penetrar cerca de 61 metros abaixo da superfície antes da explosão. Em uma mesma operação, várias bombas podem ser lançadas em sequência para atingir alvos ainda mais profundos. Apesar de usar ogiva convencional, especialistas alertam que um ataque contra instalações nucleares pode liberar material radioativo, dependendo do alvo.
No ataque conduzido pelos EUA à região em março deste ano, o jornal israelense Haaretz afirmou que foram usadas bombas antibunker. Os norte-americanos não confirmaram oficialmente a operação nem informaram qual armamento foi empregado. Especialistas ouvidos pela Reuters avaliam que os túneis sob a montanha de Pickaxe podem ter sido construídos em profundidade suficiente para resistir até mesmo à bomba antibunker mais poderosa do arsenal americano.



