Vídeo alarmista sobre remédios e coração é enganoso, dizem especialistas
Vídeo alarmista sobre remédios e coração é enganoso

Um vídeo produzido com inteligência artificial e compartilhado nas redes sociais alega que medicamentos como ibuprofeno, diclofenaco, nimesulida, Neosoro e sibutramina "detonam" o coração, aumentando a pressão arterial e a frequência cardíaca, além de sobrecarregar o fígado. O conteúdo, de tom alarmista, já acumulou mais de 560 mil visualizações no Facebook.

Especialistas contestam alegações

O Estadão Verifica consultou especialistas que classificaram o vídeo como enganoso. Embora todos os medicamentos citados tenham riscos e contraindicações, seu uso é seguro quando corretamente indicado por profissionais de saúde. A falta de contexto sobre dose, duração do tratamento e perfil dos pacientes pode distorcer a percepção dos riscos.

Riscos cardiovasculares existem, mas são contextuais

Os anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) como diclofenaco, ibuprofeno e nimesulida podem causar retenção de sódio e água, elevando a pressão arterial. No entanto, para pessoas saudáveis, o uso eventual na menor dose eficaz apresenta baixo risco absoluto. Grupos de risco incluem pacientes com insuficiência cardíaca, hipertensão não controlada, doença renal, idosos e grávidas.

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Neosoro e vasoconstrição

O Neosoro adulto contém nafazolina, um vasoconstritor que atua principalmente nos vasos da mucosa nasal. Não é correto afirmar que contrai vasos do corpo inteiro. O uso excessivo ou prolongado (acima de cinco dias) pode levar a hipertensão e taquicardia, como alerta a bula.

Nimesulida e fígado

A nimesulida não "engrossa o sangue", mas apresenta risco raro de hepatite. Problemas hepáticos graves podem ter repercussões cardíacas, mas são exceção. A bula contraindica o uso em pacientes com insuficiência hepática.

Sibutramina requer acompanhamento

A sibutramina, usada no tratamento da obesidade, aumenta a frequência cardíaca e a pressão arterial. É contraindicada para pessoas com doença arterial coronariana, insuficiência cardíaca, arritmias, doença cerebrovascular ou hipertensão não controlada. Deve ser prescrita com acompanhamento médico.

Orientações aos pacientes

Os especialistas recomendam não interromper tratamentos prescritos com base em conteúdos de redes sociais. Informações científicas de qualidade não geram pânico, mas permitem decisões conscientes sobre a saúde. Em caso de dúvidas, consulte um médico ou farmacêutico.

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