Ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) identificaram uma atuação coordenada do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para desacreditar as pesquisas eleitorais. A avaliação interna é de que as declarações públicas do filho do presidente Jair Bolsonaro fazem parte de uma estratégia da campanha para minar a credibilidade dos institutos de pesquisa, especialmente diante de resultados desfavoráveis ao chefe do Executivo.
Estratégia de desinformação
Segundo fontes do TSE, Flávio Bolsonaro tem repetido questionamentos sobre a metodologia dos levantamentos e insinuado manipulação de dados, em uma tentativa de influenciar a percepção do eleitorado. A Corte Eleitoral monitora essas declarações como parte de seu trabalho de combate à desinformação nas eleições de 2022.
“Há um padrão claro de ataque às pesquisas, que não é apenas do senador, mas de vários integrantes da campanha”, afirmou um ministro sob condição de anonimato. “Isso pode configurar abuso de poder e uso indevido dos meios de comunicação, se comprovado que a intenção é enganar o eleitor.”
Repercussão jurídica
O TSE já abriu investigações sobre possíveis irregularidades na disseminação de informações falsas sobre o processo eleitoral. No caso específico de Flávio Bolsonaro, a Corte analisa se as falas ultrapassam os limites da liberdade de expressão e configuram propaganda negativa ou tentativa de fraudar a lisura do pleito.
O senador, por sua vez, nega qualquer ação coordenada e afirma que apenas exerce seu direito de criticar metodologias que considera falhas. Em live recente, ele questionou a precisão dos números e sugeriu que as pesquisas seriam usadas para influenciar o resultado das urnas.
Especialistas ouvidos pela coluna destacam que a desconfiança nas pesquisas pode ter efeitos reais no comportamento do eleitor, gerando abstenção ou voto útil. “Quando uma liderança política desacredita as pesquisas, ela pode estar tentando criar uma narrativa de que a vitória é certa, para desmobilizar a oposição, ou de que há fraude, para justificar uma eventual derrota”, explicou o cientista político Carlos Melo.
Impacto nas eleições
O TSE tem se posicionado de forma firme contra a desinformação, aplicando multas e determinando a remoção de conteúdos falsos. Até o momento, não há decisão sobre o caso de Flávio Bolsonaro, mas a Corte já sinalizou que não tolerará tentativas de desestabilizar o processo eleitoral.
As pesquisas eleitorais, reguladas pelo TSE, seguem sendo um termômetro importante da intenção de voto, apesar dos ataques. Dados recentes mostram que, mesmo com a desconfiança fomentada por alguns políticos, a maioria dos eleitores ainda considera os levantamentos úteis para decidir o voto.



